Cuidado com o que você sonha

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Re: Cuidado com o que você sonha

Mensagem por Adália o Qua Nov 12, 2008 9:18 am

Nossa to adorando! Uma das melhores fics que já li!

Adália

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Cuidado com o que você sonha

Mensagem por Cris* o Qui Nov 13, 2008 2:50 pm

Capítulo 6 – O Passado – parte 3

Agora sou eu que vou postar ( finalmente!!!) vo colocar de uma forma bem detalhada para que “se sintam” na história, por isso vai fikar grande (imagino umas três partes) mas é essa parte que esclarece a fic, por isso eh a mais importante (poderosaaaaaaaaaaaaaaa) Ah é, temos uma nova leitora, Adália. Bem vinda a Fic!!! ___________________________________________________________________________________________________________
Aeroporto Internacional de Congonhas, São Paulo, 09 de Dezembro de 2009, 14:12pm

-Eu não acredito, eu não acredito.....
Lá estávamos nós ouvindo aquela frase da boca da Danny outra vez. Só que agora eu fazia coro com ela. Já a Glória tava sem fala há dias, só fica olhando para um ponto qualquer na sua frente, tá até meio esquisita. Mas imagino o que passe pela cabeça dela. Quem iria dizer que um anel, um ato de coragem e muita sorte podia nos levar para a Alemanha?
Nós falamos com eles há uns seis meses por msn. Parece inacreditável toda vez que eu entro, e lá está o Tom, com a câmera ligada, passando a língua naquele piercing... Mas um mês atrás, Bill surpreendeu a nós três: já que a turnê havia acabado e como aquela os desgastou muito, iam tirar um mês de férias, e convidou a Glória para passar duas semanas com eles. Tom me convidou, e o Georg havia convidado a Danny. Aquela loucura parecia não ter tamanho, mas assim que eu peguei meu passaporte sabia que estava realmente acontecendo. Até meus pais deixaram a gente ir, mas acho que foi mais por terem se surpriendido com o convite.
Nosso avião deixou Curitiba há uns quarenta minutos atrás, e como era com escala, parou em São Paulo. Aí a Danny entrou, e agora está prestes a decolar. Ainda vai parar nos Estados Unidos, só vamos chegar amanhã. Mas quem se importa? Pode demorar uma semana que eu to feliz!!
Quando aterrisou eu senti uma ansiedade enorme. Vendo da janelinha ao lado da minha poltrona, via como aquele país era diferente! Foi aí que a Glória falou a primeira vez:
-A gente já chegou?
-Já. - Eu falei, meio surpresa por ela ter falado. Ela olhou pra mim com cara de assutada.
-Eu vou ver o Bill mesmo né? Ou isso por acaso é outro sonho muito real?
-Esse é um sonho que se torna real a partir de agora maninha. - peguei na mão dela, que tava bem gelada. Danny estava sentada entre nós duas, olhava para o teto do avião mordendo os lábios.
Fomos pegar as malas. A ansiedade era tanta que eu deixei minha mala cair umas três vezes antes de colocar no carrinho. A Danny tava com um sorriso enorme, mas assim que olhei para a Glória, vi que ela estava parada, olhando o saguão. Os meninos já estavam lá. Estavam rindo, chamando a gente. Peguei no braço dela e comecei a arrastá-la. Tinha certeza que por si mesma não ia conseguir se mexer.
Fui direto no Tom. Ele estava de branco, com óculos escuros, estava usando o boné que eu havia dado a ele junto com aqueles pacotes que a Danny havia entregado, e estava sorrindo pra mim (só pra mim!!!!!!) e abrindo os braços. Deixei a Glória ali e corri para dar um abraço forte nele, afinal era a primeira vez que podia tocá-lo.
-Como foi de viagem? - Disse ele em inglês.
-Maravilhosa. - Foi tudo o que eu consegui dizer.
Já as duas tímidas não havaim corrido para os seus príncipes. O Georg veio falar com a Danny, eles se abraçaram brevemente, e ele disse alguma coisa em alemão que a fez rir, mas estava completamente sem jeito. Também não era para menos.
Mas o engraçado foi a minha irmã. O Bill disse “oi” para ela todo animado, mas a criatura não se mexia! Até que ele perguntou:
-Tá tudo bem como você Glória?
-Não. Eu acho até que tá demorando para um segurança vir e travar meus braços nas costas!
Eles dois riram. E se abraçaram. Ele olhou bem para os olhos dela e disse:
-Eu que falei para não tentarem outra vez, porque você sempre consegue escapar.
A Glória deu o sorriso mais lindo que eu já a havia visto dar.
Daí fomos cumprimentar Gustav, que estava acompanhado da namorada. Já tinha visto a menina em fotos, mas ao vivo era outra coisa! Muito bonita, de cabelos ruivos ondulados e olhos violeta, se apresentou falando o nome – Delana – mas só foi isso, porque ela não falava inglês, mas parecia ser muito simpática e meiga, tipo o jeitinho do Gusti.
Nós não conhecemos Saki porque estava de férias, mas Tobi e um outro segurança de nome esquisito e cara amarrada estava lá. Eles nos ajudaram com as malas e tudo mais. Enquanto íamos para o carro, notei que algumas pessoas os reconheceram, mas ficaram de longe, observando.
Os carros pareciam mais carros-forte de tão grandes. O Tobi iria dirigindo o primeiro carro, junto com o Gustav, Delana, Georg e Danny. O outro segurança, se apresentou como Erhard mas eu nem sei como se pronuncia. Nesse carro era eu e Tom, Bill e Glória.
Mesmo a vista sendo maravilhosa, eu não conseguia desviar o olhar do Tom. E ele ficava puxando assunto mesmo, então eu ia falar. Já minha irmã querida ficou olhando para a janela. Dava para notar que o Bill também queria falar com ela, mas ela é tão tímida que dá raiva. Imaginei como estaria a Danny uma hora dessas!
Daí sem mais nem menos, ela pediu para parar o carro! Quando perguntaram o porque, ela disse que nunca havia tocado na neve, e havia começado a cair (?!?!?!!!!) Eu fiquei de cara, mas o Bill ligou na hora para o Tobi, que estava na nossa frente, e os dois carros pararam.
A Glória parecia uma criança. Ela praticamente saltou do carro, e começou a mexer na neve com as luvas. Logo, todo mundo estava lá também, parecia que ninguém havia visto neve na vida! Eu fiquei perto dos carros, tirando fotos deles. Foi muito engraçado, mas bem que a Glória podia ter pensado que não existia neve só ali...
Ficamos lá por quase uma hora. Depois todo mundo foi voltando, tirando a neve da roupa e do cabelo. A Glória veio toda sorridente e me disse: - Você não sabe o que perdeu! - E eu pensei: “ Serio? Que bom...agora volta pra essa carro já!!!”
Nós iríamos ficar a primeira semana na casa da mãe dos gêmeos em Magdeburg, depois em Berlim. Tava ansiosa para conhecer a Dona Simone.
A Glória tava finalmente falando. Mas no jeito dela: quase nunca o olhava nos olhos, com a cabeça meio baixa. Queria entender o que estavam falando, porque eu só falo inglês; só sabia dizer “sim ou não”, ou cantar alguma música deles em alemão.
-O que está achando da Alemanha? - Perguntou Bill, o que me pegou de surpresa.
-Acho que não sou muito fã de neve. - Eles riram. Mas daí eu perguntei uma coisa que estava realmente curiosa: - Vocês já fizeram isso com quantas fãs?
-Fazer o que? - Perguntou Tom.
-Trazer pra Alemanha? Quantas vezes isso já rolou? - Bill e Tom se entrolharam.
-Essa é a primeira vez. - Disse Bill.
-Sério?!!!
-Sim, claro.
-Mas porque nós? Porque nos escolheram?
-Pra falar a verdade, eu não tenho tanta certeza. Mas vocês são sempre tão legais com a gente, escutam o que a gente tem para dizer...mas o mais importante é que nos tratam como seres humanos, não são daquelas fãs histéricas. - Era super fofo escutar isso do Bill.
-Dá saudade de andar pelas ruas como gente normal. Até pra sair na esquina de casa temos de estar com seguranças! Isso chateia muito! - Quando Tom falou “muito” fez uma cara tão engraçada que eu ri.

O carro estava entrando naquele quintal enorme, que eu havia visto muitas vezes por fotos. Mas estar ali era uma coisa indescritível. Assim que a gente desceu a porta foi a aberta, e os cachorros deles vieram nos receber. A Glória se abaixou na hora para mexer neles, e o Bill ficou do lado dela, apresentando os cães. O Tom me puxou a apontou para a porta: - Olha lá a minha mãe.
Dona Simone era aquela simpatia de pessoa. Ela arriscava o inglês, e abraçou a nós três. A casa por dentro era muito linda: era comfortável, e tinha aquele toque de mãe na decoração. Uma lareira estava acesa, a casa era tão quente e retiramos os casacos. Os meninos nos ajudaram a guardá-los num armário, daqueles que ficam perto da entrada, embutidos na parede. Aí fomos para nosso quarto: parecia um quarto de boneca, todo branco e bege, tinha a vista pro quintal, com uma lareira. Deixamos as malas lá, depois eles fizeram questão de mostrar a casa inteira, e eu tava muito curiosa para conhecer um pouco mais deles, da vida em família.
Quando voltamos a Dona Simone perguntou se não queríamos algo para comer, respondemos que sim. A Glória pediu para ajudá-la na cozinha, estava sem jeito de ficar perto do Bill, isso sim. Mas não deu muito certo como ela esperava: o Bill foi atrás dela.
Nós ficamos na sala enquanto isso. O Tom pegou uma guitarra, e começou a tocar. Eu fiquei o olhando. Ele perguntou se eu sabia, eu respondi que não.
-Quer aprender?
-Quer me ensinar?
-Só se você quiser.
-Só se for agora.
Sentei do lado dele, ele me deu a guitarra e foi me explicando como tocar. Eu fiquei prestando o máximo de atenção que pude, porque quando eu colocava a mão nas cordas, ele ia ajeitando meus dedos.
O Bill e a Glória vieram trazendo o que tinham preparado, e estavam rindo. Pelo jeito a conversa na cozinha foi boa. A Dona Simone terminou de trazer as coisas, e ficamos comendo ali mesmo, com a TV ligada, mas ninguém prestava atenção nela, tava todo mundo falando ao mesmo tempo, mas como não falava alemão, o Tom ia meio que traduzindo as conversas.
Como já era tarde, não dava pra sair pra lugar nenhum, então só ficamos vendo uns filmes que eles tinham, eu tive que ficar lendo legenda, por isso sempre ria por último!!
Lá pelas onze da noite fomos dormir. Como eu estava cansada, o fuso-horário é coisa de loko! Mas mesmo assim não consegumos dormir, cada uma da sua cama ficou falando.
-E aí Danny, o que tanto falou com o Gezão no carro?
-Ah, ele perguntou sobre a viagem, do nosso país...essas coisas.
-Hammmmmmmmmmmmmmm só isso?
-Claro. Ah Cris, o que você queria, que eu pulasse nele?
-Nem tanto, mas só conversaram?
-E você, por acaso não só conversou com o Tom? - Falou Glória.
-Ah, ele também me ensinou a ensinar guitarra... - falei meio sem jeito.
-Hammmmmmmmmmmmmm, só isso?
-Ah qual é? Vai me imitar agora? E você que voltou toda sorridente da cozinha com o Bill?
-Mas foi muito engraçado. Ele pensou que eu tinha quinze anos!!
-Como assim?
-Ah, tipo ele falou: “Vocês não tiveram problema em pegar autorização dos seus pais?”, Daí eu perguntei o porque, mas ele falou: “ Mas vocês não são menores de idaade?”. Eu falei “claro que não, eu tenho 19 anos! Só a Cris que vai fazer 17 em janeiro!”. Ele riu um monte, e disse que pensava que eu tinha no máximo 15!
-Essa é boa! Sempre com cara de criança.
-Saiba que você tembém tem essa cara, tá? E aliás, ele disse que eu tenho muita sorte de não aparentar idade..
-Que sorte? Aquela em que você sempre é parada pelo guarda da trânsito, e que mesmo depois de mostrar seu RG ele fala que é falso?
Glória jogou um travasseiro em mim.
-vamos dormir tá? Se lembra do que o Tom falou? Temos de acordar cedo amanhã: 1 DA TARDE!!
Nós três rimos. Depois eu me aquietei e fui pegando no sono, imaginando que sorte eu tinha por saber que na porta da frente estava meu príncipe.

Cris*

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Cuidado com o que você sonha

Mensagem por susi o Qui Nov 13, 2008 2:55 pm

Esse cap. ficou muito fofo Cris* amada!!! Eu axo que ia ser assim mesmo que iria agir se fosse realidade...valeu por ler a fic Adália. Eu e a Danny, duas tímidas affraid mas e aí gostaram?? bounce


I dreamed once you
In this dream you kissed me and hugged me strongly
Woke with the taste of your lips in my mouth
And when I turned, I saw you stays by my side

susi
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Re: Cuidado com o que você sonha

Mensagem por fantasmic o Sex Nov 14, 2008 5:34 pm

adorando essa fic Very Happy

give to me...
your best smile.

fantasmic

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Re: Cuidado com o que você sonha

Mensagem por Niiine o Sex Nov 14, 2008 8:55 pm

aiii cara,muito bom *----------*

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Cuidado com o que você Sonha

Mensagem por Cris* o Sex Nov 14, 2008 10:35 pm

Capítulo 7 – O Passado – parte 4


Vou postar logo o outro cap. já que to conseguindo ter tempo. Ah, achamos uma música oficial para a fic: Ich Bin Da. Vemos a letra, e tem tudo haver com a história, principalmente a parte “olhe para dentro de si mesmo, então me verá”, então toda vez que lerem a fic recomendamos que escutem essa música. Colocamos nessa parte o que tem preocupado todas as suas fãs: o fato de estarem esgotados! Estão precisando de um descanso, afinal são seres humanos. Continuando com o passado, nas férias que mudaram para a sempre a vida das personagens..._______________________________________________________________________________________________________
Acordei pensando que seria a primeira. Que nada! A Glória já estava de pé, na janela. Tirava algumas fotos do jardim, já que havia nevado a noite toda, então tudo estava de uma cor só.
-Pulou da cama?
-Hã? Ah, oi Cris! Durmi pouco mesmo, tava sem sono.
-Que horas são?
-nove e meia.
-Da manhã? Como dormi pouco!
-Também não é para menos. - Danny havia saído do banheiro. Estava com uma calça de moletom cinza, e um casado de gola branco, com o cabelo preso num rabo de cavalo. A Glória tava com uma cacharrel vermelha e jeans. Parecia loucura ela estar de jeans naquele frio, mas ela era simplesmente viciada em usá-los. Tava de cabelo solto.
-Vá se trocar Cristine, já estamos descendo.
-Mas eles falaram uma da tarde! Quero voltar a dormir.
-De jeito nenhum. Quanto menos dormirmos mais aproveitamos.
-Olha, sabe que você tem razão? Tá ficando inteligente agora é Glorinha?
Sabia que esse apelido a irritava. Quem tinha dado era um garoto que a Glória era caidinha. Isso quando ela tinha 16 anos, era mais magra que um papel, mais calada que um túmulo, e não tinha conhecido o TH ainda. Depois que viu a foto do Bill pela primeira vez deixou de ser boba, e parou de sonhar com aquele garoto que nunca havia dado bola pra ela, era um cretino isso sim.
-Pra seu governo eu fui a melhor aluna do colégio no primário, ginásio e segundo grau! E só...
-E só não apertou a mão do presidente porque ainda tinha amídalas e estava com amidalite aguda. Eu já sei desta história, CDF convicta, você sempre a repete!
-Mas pelo jeito ainda não fez efeito!
-Você ia conhecer o Lula? - Perguntou Danny.
-É, mais isso é passado.
-Assim como o Vinícius! - Pra que eu fui tocar no nome do dito-cujo...
-Eu te mato Cris! - Ela foi atrás de mim, mas conseguir ser mais rápida e me tranquei no banheiro. Lá dentro, me arrependi de ter falado aquilo. Sabia que uma pontada de esperança ainda existia.
-Me desculpa Glória, eu devia ter ficado quieta.
-Eu sei... Tá tudo bem..., desculpa por ter te ameaçado de morte.
-Mas posso sair?
-Deixa eu descer primeiro e conter a minha raiva.
Depois que me arrumei, a Danny, que havia ficado me esperando perguntou quem era Vinícius. Eu preferi não falar, sabia que a Glória havia desencanado dessa.
Nós três ficamos sentadas em um daqueles sofás enormes, tudo estava silencioso, a não ser pelo ponteiro do relógio-cuco que tinha na sala.
-Vamos ter que ficar aqui até uma da tarde? - Perguntei sussurrando para Glória.
-Não sei. Provavelmente sim.
Mas uns cinco minutos depois, a Dona Simone apareceu, saindo da cozinha com uma xícara na mão.
-Ah, bom dia! Já estão acordadas?
-Sim. Resolvemos esperar aqui. - Falou Danny.
-Que tal tomarem café comigo lá na cozinha? Está tão frio esta manhã...
Nos sentamos numa mesa de madeira clara, que dava pra uma janela. A Dona Simone era bem falante, às vezes errava no inglês, mas logo se corrigia, colocando a mão na boca. Começou a falar como era ser mãe de dois astros da música, não era fácil ficar longe dos filhos, sabendo que não dormiam nem se alimentevam direito.
-Bill voltou tão abatido desta vez. E como estão magros, os quatro... a vida deles parece ser curta para tantos compromissos...
Deixamos que ela falasse. Parecia querer desabafar com alguém. Mas ela nunca os impediu de seguir seus sonhos, e sentia um imenso orgulho deles, afinal ela sabia mais do que ninguém como havia sido difícil para que eles chegassem ao objetivo, e como era ainda mais difícil se manter nele.
-Tenho certeza que desta vez vão ficar em casa pelo menos dois meses. Eles tentam se fazer de fortes, mas se vocês mesmas notam como eles estão imagine eu! Desde o acidente de carro do Gustav em 2008 eu não durmo mais direito, só fico pensando nessa fama toda, é grande demais para eles administrarem.
Depois que tomamos café ela nos levou para uma outra sala da casa, parecia um sala de recordações: havia fotos deles, alguns prêmios, brinquedos e roupas antigas, alguns desenhos deles em molduras.
-Eles não mostraram esse lugar ontem. - Disse a Glória, impressionada com tudo o que via.
-Imaginei que não mostrariam. Não gostam que eu exiba suas fotos e coisas mas, eu prezo muito as lembranças. E as mães do Georg e Gustav também contribuíram.
-Uaaaaaaaauuuuu! Esse macacão era do Georg? - Danny falou toda animada.
-Sim. Nem parece que um dia ele cabia aí dentro.
- é a primeira guitarra do Tom? - Perguntei.
-Sim. Foi Gordon quem a deu, quando ele tinha uns nove anos. Até hoje me lembro de como ele ficou contente quando pegou nela pela primeira vez!
Toquei naquelas cordas e sorri. Fiquei imaginando ele recebendo-a, como deve ter ficado feliz.
O Gustav e a Delana foram até lá também. Ele ficou todo orgulhoso em mostrar alguns dos desenhos que havia feito com uns 5 anos. Era um monte de rabiscos coloridos, e no canto inferior direito de cada um estava assinado seu nome. Quase não dava para ler, mas era muito fofo ver ele explicando o que cada um representava, (a Glória ia traduzindo) enquanto abraçava Delana pela cintura.
A gente ficou vendo TV, jogando ping-pong, brincando com os cachorros...mas nada do tempo passar. Toda hora eu olhava pro relógio, o cuco havia saído uns 20 minutos atás, ainda era meio dia e vinte! O Georg já estava lá fazia uns 40 minutos, então a Danny escava “ocupada demais” para conversar. A Glória havia retornado à cozinha com a Dona Simone, estavam fazendo o almoço. E eu, tentava entender alguma coisa do desenho animado, do lado do Gusti e da Delana.
Eles só foram descer uma e vinte da tarde. Quase pulei do sofá quando vi o Tom. Ele tava de calça preta, não era tão larga como de costume, e um moletom com capuz cinza. Os dreads tavam presos lá para cima, com uma faixa preta na cabeça. Bill tava de cabelo baixo, sem maquiagem, calça azul marinho e casaco preto.
-Bom dia Cris.
-Boa Tarde Tom.
-Imagina! No meu fuso-horário ainda é de madrugada! - Eu ri da piada, e ele me deu um beijo no rosto. Me derreti toda por dentro.
-Bom dia, Cris! - Bill tava bem animado, também me deu um beijo no rosto, mas eu nem senti. Quando ele ia me perguntando da Glória, eu apontei para a cozinha.
A gente almoçou na sala de jantar. É claro que eles não se acostumaram de cara com a comida da minha irmã, já que ela fazia faculdade de nutrição e fez coisas saudáveis, mas mesmo assim comeram. Depois brincamos com os aviões deles lá fora, essa foi a parte mais emocionante! Tudo branco, e lá estava todo mundo, olhando para o céu feito crianças. Mais tarde nós fomos num rinque de patinação. Tava meio vazio, pq era época de férias e a maioria das pessoas foram viajar, o que foi melhor ainda. Nos divertimos muito lá, é claro que caímos um monte, mas toda hora dávamos risadas um do outro. Eu ia registrando tudo com a câmera. Naquele mesmo dia tivemos que fazer fila pra Dona Simone passar arnica nos nossos hematomas!
Aquela primeira semana passou rápido demais. Mal deu tempo de visitarmos os locais onde eles iam quando crianças, brincar mais algumas vezes com os aviões, de mostrar todas as fotos que trouxemos das fãs do Brasil, de brincar com os cachorros e com o gato, de conversar com a Dona Simone. Mas agora iríamos para Berlim, junto com eles. Foi lindo ver a Dona Simone e a Glória se despedindo, as duas estavam chorando.
-Não demore tanto para voltar a me visitar Glória, gostei muito de falar com vc.
-Pode deixar Dona Simone.
Mal nós sabíamos que iria demorar ANOS para que houvesse o reecontro.
__________________________________________________________________________________________________________
Gente só vou postar na mesma semana pq já tava pronto, e pq amamos seus comentários I love you I love you , muito muito obrigada, é muito importante para nós. Laughing Razz Semana que vem, a última parte, mostrando o porquê que não deu certo.

Cris*

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Re: Cuidado com o que você sonha

Mensagem por Danny Spagolla TH BRASIL o Sex Nov 14, 2008 11:30 pm

*----------* quando vai postar mais doce olhar

editado

entãoooo quando a senhorita ira postar mais??


Última edição por Danny Spagolla TH BRASIL dia Ter Nov 18, 2008 7:22 pm, editado 1 vezes

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Re: Cuidado com o que você sonha

Mensagem por Adália o Sab Nov 15, 2008 9:49 am

Muito legal Cris!

Adália

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Cuidado com o que você sonha

Mensagem por Cris* o Qua Nov 19, 2008 2:49 pm

Capítulo 8 – O Passado – parte 5


A última parte da viagem pra Alemanha. Pena que não acaba da forma que vocês esperavam! Mas antes de lerem é necessário muita compreensão. Porque a gente pensa: nossa se eles me pedissem pra largar tudo e ficar, eu ficava na boa! Mas será que na real faríamos isso mesmo? Largar toda a nossa vida para trás? E qm ficasse para trás, como é que ia ser?________________________________________________________________________________________________________

Descemos do carro. Olhei para aquele prédio onde os gêmeos moravam. Não sabia o porquê, mas estava meio insegura de entrar lá. Olhei para a Glória, ela olhava da mesma forma para o prédio. Até que Bill chamou a atenção dela, e a ajudou com as malas. O Tom veio fazer o mesmo, mas percebi que ele estava diferente, estava sério, mas me olhava de uma forma tão linda. Fiquei encantada.
-Que foi Tom?
-Eu? Nada não.
O sorriso dele. Era isso! Não estava daquele jeito malicoso, e sim um sorriso sincero. Confesso que me assustei de início.
É claro que como era apartamento de homem não dá para esperar que tudo esteja arrumado, mas até que estava... digamos ajeitado. Eles estavam todo empolgados em mostrar o Ap deles, eu não parava de rir, era lindo o brilho naqueles olhos. Mas havia duas pessoas que estavam meio que retiradas do grupo: fui procurar a Danny. Ela estava de costas na janela da cozinha...e o Gezão tava com um braço passado nos ombros dela, estavam conversando bem baixinho. Mas do que rápido saí dali, me contendo para não rir. Quem diria. Logo a Danny foi a mais rápida de nós três!
Mas tarde eu continuei tendo aulas de guitarra com o meu professor. Quando consegui o meu primeiro acorde ele ficou super feliz! Nós dois rimos, mas teve uma hora que paramos, e ficamos a olhar um para o outro. Não sei quanto tempo se passou, mas parecia que ele lia meus pensamentos. Sempre achei ele o mais lindo da banda, mas agora, com ele tão perto de mim... Acho que acabei me assustando, deixei a guitarra no sofá e saí dali. A Glória, que estava sentada na minha frente vendo umas fotos com o Bill me perguntou o que havia acontecido, mas continuei a andar.
Fui até o hall. Fiquei olhando para o chão, tentando encontrar uma resposta para aquela estranha atitude. Mas é claro, eu a encontrei quase que instantaneamente. Eu estava apaixonada por ele. E não era só uma paixão de fã, daquelas que duram um show. Eu havia ido longe demais sem perceber. Comecei a soluçar, colocando a mão na boca. “Burra, completamente burra!” Fiquei me torturando na mente. Ele era Tom Kaulitz. Pra ele eu não era nada além de uma garota de duas semanas. A Glória veio atrás de mim, e assustou-se quando me viu chorando.
-Garota, o que aconteceu? - Ela pôs a mão no meu ombro.
Eu olhei para ela. Tava tão desesperada que falei tudo ali mesmo, embolando uma palavra em cima da outra. Ela voltou pro apartamento, pegou nossos casacos e avisou a todos que queria dar uma volta comigo. E foi o que fizemos. Tinha uma praça lá perto. Depois de tomar um café, acabei me acalmando. Ouvi passos vindo em nossa direção. Nossa, era o Tom! A Glória se levantou na hora.
-Mas, Glória...
-Eu que chamei ele. Eu vou voltar está bem? Vocês precisam conversar.
Ele sentou ao meu lado, em silêncio. Eu fiquei olhando o movimento dos carros naquela noite fria, não acreditando no meu próprio azar. Mas quando eu menos esperava, ele trouxe meu rosto para perto dele, e secou uma lágrima.
-Nossa, seus olhos estão verdes Cris!
-Eles sempre ficam quando eu choro.
-Então pára de chorar.
-Mas você não gostou deles verdes?
-Então faz o seguinte: agora, chora de felicidade.
Não deu nem tempo de pensar, ou reagir. Ele me trouxe até ele e me beijou. Parecia que ele sabia que aquilo nunca havia acontecido comigo, ele foi tão doce e carinhoso. Eu tremia dos pés a cabeça, mas não queria que aquele momento acabasse nunca. Quando nossos lábios se descolaram, eu tava meio sem fôlego. Ele me abraçou, e eu abaixei a cabeça, sentindo o rubor queimar minha face.
-Você quer namorar comigo? - Falou o Tom
“E você quer me matar do coração?”
-COMO?!!!!
-Isso que você ouviu.
-Mas, como assim Tom? Porque eu?
-Porque É você. Simples assim.
Eu não falei mais nada. Pouco tempo depois nós voltamos. Quando estávamos no hall ele me colocou contra a parede.
-Você ainda não deu resposta.
-Eu...eu, eu não sei.
-Como não? É só dizer sim ou não...
-Não é tão simples assim Tom! Eu mal te conheço!
-Pra mim parece que te conheço a vida toda.
Tentei bancar a difícil:
-E para quantas garotas você já falou isso?
-Para várias. Milhares de vezes. Mas estou sendo sincero pela primeira vez na minha vida.
Daí minha guarda foi derrotada, e me dei por vencida. Fui até a porta, mas antes de abri-la, virei para trás e falei: -Sim.
Nem precisei olhar para sentir aquele sorriso arrebatador.
Durante aqueles dias não contamos para ninguém sobre a nossa decisão. Era só uns sorrisos disfarçados, subir a escada de mãos dadas, e soltar as mãos assim que viesse alguém. Ele sempre usava o boné que eu havia dado a ele. Eu ainda não havia pensado em como iria ser assim que eu fosse embora, mas toda vez que ele me chamasse para ir visitá-lo eu iria correndo. Era maravilhoso estar apaixonada. Pena que não dura para sempre.
Faltando dois dias para irmos embora, resolvemos sair à noite, iríamos finalmente conhecer o Andreas! Estava tão feliz naquele dia que acordei mais cedo. Fui procurar o Tom, mas ele não estava lá. Achei meio estranho, mas deixei para lá, e desci o elevador para ir a cafeteria que tinha do outro lado da rua. Fui até o estacionamento, só para ver se o carro dele estava lá. E estava. Senti meio que um alívio, mas quando ia indo, vi que ele estava encostado no carro... beijando outra garota!
Meu coração foi na boca. Senti meu sangue gelar, e minhas pernas fraquejando. Só consegui voltar correndo pro apartamento. Quando cheguei lá, me tranquei no banheiro, estava quase tendo uma convulsão. As lágrimas vieram sem controle. Como eu poderia viver agora, com aquela traição?
A Glória perguntou o porquê que eu estava tão calada. Menti, dizendo que estava com enjôo. O Tom sumiu naquele dia, ligou para o celular do Bill dizendo que tinha uma coisa muito importante para resolver, e iria se encontrar com todo mundo à noite. Ele nem se preocupou comigo...
Georg, Danny, Gusti e Delana foram na frente. Eu fiquei com a Glória e com o Bill. Eles iam arrumando o Ap, já que havíamos feito uma bagunça enorme na noite anterior, e eu fiquei no quarto, arrumando as malas. Tentava pensar em qualquer outra coisa, mas sabia que assim que visse o Tom naquele clube eu ia dar uma na cara dele! Mas uma coisa estranha aconteceu.
Assim que eu terminei de arrumar as malas, a Glória entrou no quarto, meio transtornada.
-O que aconteceu?
-Nada. Pega suas malas, eu vou ligar pro Taxi.
-TAXI??? O que aconteceu Glória? Me diz!
Bill entrou no quarto, batendo a porta. Os dois começaram a discutir, mas eu não entendia nada, comecei a me desesperar com aquilo. A Glória falava no celular entre lágrimas. Depois ela pegou as malas, eu fiz a mesma coisa, e fomos pro elevador.
O Bill tentava impedi-la de qualquer jeito. Ele também estava chorando. Assim que ela apertou o botão do elevador, Bill colocou-a contra a parede, agarrando em seus ombros. Ele se esforçava para falar, mas ela fazia que não com a cabeça. O elevador chegou, nós duas entramos. Ele ainda pediu mais alguma coisa para ela, que fez sim com a cabeça. Glória ficou segurando a porta do elevador, mas assim que Bill deu as costas ela soltou. Tentei falar alguma coisa, mas ela fez que não com a cabeça.
O taxi nos esperava lá fora. Colocamos as malas de qualquer jeito. Assim que o carro partiu, Bill apareceu correndo na rua, ele tentou nos seguir, mas logo depois voltou, provavelmente ia pegar o carro.
Tivemos sorte. Havia um avião com escala pro Brasil, que iria sair em vinte minutos. Compramos as passagens, despachamos as malas, e fomos entregar nossos bilhetes. A Glória ainda ficou por lá alguns segundos, olhando para trás, como se esperasse que Bill a alcançasse. Cansou de esperar.
Assim que sentamos, ela me perguntou:
-Qual foi o seu motivo?
-O amor é uma mentira...ele estava me traindo
Ela confirmou com a cabeça.
-E qual foi o seu motivo? - Perguntei.
-O amor é uma verdade...mas não pude encará-lo.
Só mais tarde vim a saber exatamente do que ela falava.

Voltei a mim com a Camylly lambendo minha mão. Fui ligar para Glória, sabia que ela precisava falar com alguém urgentemente. E eu também.

_________________________________________________________________________________________________________
Não ficou completamente claro, mas calma, já se ajeita. Danny não morra do coração tá bem?! Você é só a mais sortuda de nós três

Cris*

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Re: Cuidado com o que você sonha

Mensagem por Danny Spagolla TH BRASIL o Qua Nov 19, 2008 3:09 pm

aiiiiiiiiii q raiva bravo bravo bravo bravo como ele pode ¬¬

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Re: Cuidado com o que você sonha

Mensagem por fantasmic o Qua Nov 19, 2008 9:29 pm

TOM FILHO DA PUT********************************************

give to me...
your best smile.

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Cuidado com o que você sonha

Mensagem por susi o Qua Nov 19, 2008 10:18 pm

Pelo jeito vcs amaram a atitude do Tom NÉ? clown


I dreamed once you
In this dream you kissed me and hugged me strongly
Woke with the taste of your lips in my mouth
And when I turned, I saw you stays by my side

susi
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Re: Cuidado com o que você sonha

Mensagem por Adália o Sab Nov 22, 2008 9:32 am

To amando a fic! Posta mais!

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Re: Cuidado com o que você sonha

Mensagem por Patty Back-K o Sab Nov 22, 2008 8:18 pm

Leitora nova!!!!
caraca, muito boa essa fic Very Happy
to amandoo *-* curiosa ao extremoo, continuem logo garotas!!! rabbit
Tomzinho meu amor, porque você fez isso com a pobre menina??? Sad
AE AE AE

Patty Back-K
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Cuidado com o que você sonha

Mensagem por susi o Dom Nov 23, 2008 3:40 pm

Capítulo 9 – Eu ainda Vou me Decidir


Oiii Patty!! Que bom que você vai ler a fic, espero que se divirta muito! Meninas, novo personagen na fic!! Imaginem-no como o loiro do clipe Womanizer.(opaaaa) O cap. de hoje está, digamos “oficial” demais, e está meio monótono, mas vai contar a história de como eu vim parar no Canadá. Vamo deixar de conversa. Boa leitura! Very Happy ________________________________________________________________________________________________________
Tentava dirigir o mais rápido que conseguia, mas tinha pânico de velocidade. Ainda não sabia o porquê que eu havia comprado uma Lamborguini prata, que chamava a atenção de todos por onde passasse. Além de quase nunca usá-la, o mais rápido que já fui com ela foi 80 km/h. Imaginava como Teresa devia estar se remoendo por dentro pelo meu atraso, mas assim que eu chegava, conseguia fazer com que a sua paz retornasse.
Nós duas havíamos montado aquela empresa praticamente do nada. Quando eu voltei da viagem da Alemanha, minha vida foi realmente terrível. Não agüentava mais ouvir meu pai dizer que havia avisado para eu não ir, que agora eu só chorava pelos cantos. Se ele soubesse da metade que havia acontecido lá...
Daí veio minha salvação. A Faculdade estava fazendo uma seleção de alunos para terminar o curso no Canadá, enquanto faziam estágio num hospital. Estudei feito uma louca, queria passar naquela prova mais do que tudo! E acabei conseguindo.
Meus pais foram contra, mas mesmo assim eu fui, determinada a levar minha vida adiante. Me esforçava de todas as maneiras possíveis para fazer o meu trabalho o melhor. Acabei sendo efetivada. Com isso aluguei meu primeiro apartamento, de três peças: cozinha, banheiro, e sala/quarto. Mas a crise na economia mundial apertou, e acabei perdendo meu emprego. Tinha duas escolhas: pegar o último dinheiro que eu tinha, comprar uma passagem e voltar para casa derrotada, ou tentar vencer por ali. Resolvi ficar com a segunda opção. Comecei a trabalhar como diarista nas casas da vizinhança. E tinha trabalho sobrando! Logo conseguia me sustentar, mesmo não tendo tempo para outras coisas.
Numa dessas reuniões de sindicato eu conheci Teresa. Ela estava numa situação parecida com a minha, tinha faculdade de administração, mas como não conseguia trabalhar na área, também era diarista. Ela também era brasileira, do Rio Grande do Norte. Nos tornamos grandes amigas. Até que um dia eu comentei com ela como era difícil para as patroas conseguirem contatos com outras mulheres que faziam este mesmo serviço, e começamos um tipo de serviço por telefone onde quem quisesse podia se registrar, assim encaminharíamos ela direto para o trabalho. Os pedidos foram aumentando. Contratamos outras pessoas. O local onde trabalhávamos começou a ficar pequeno, então alugamos um prédio de seis andares no centro de Calgary e o reformamos do jeito que precisávamos. Começamos a oferecer cursos de capacitação para as diaristas, e ajudávamos as recém-chegadas a encontarem emprego. Hoje, a nossa empresa tem a matriz num prédio de dez andares, três filiais pelo país e mais de seis mil funcionários diretos e indiretos. A Canadá Central Services se tornou a líder da América do Norte no ramo de empregos temporários e fixos em várias áreas do mercado, isso tudo em menos de quatro anos de funcionamento.
Estacionei com todo o cuidado na minha vaga pessoal. Queria parar com esse terrível pânico de dirigir. Como uma das donas, nunca precisava me identificar na entrada.
-Bom dia, senhorita Santos.
-Bom dia... - Esse era o meu diálogo com todos aqueles que eu cruzava pela manhã. Não gostava de ser tão impessoal com os funcionários, mas como uma das duas pechas-chave do meu pequeno império tinha de impor respeito.
Estava no meu elevador pessoal. Coloquei meus óculos. Eram lentes de descanso, mais gostava de usar. Dava um ar de inteligência, mesmo com todo mundo sabendo o quanto tinha de ser inteligente para manter aquilo tudo sob controle.
Assim que as portas do elevador se abrem Teresa está a minha espera, de braços cruzados com a cara emburrada.
-Pelo amor de Deus não me olha com essa cara ,falou?
-Você está atrasada duas horas!
-Na verdade, uma hora e quarenta minutos.
-Não brinca Glória, está todo mundo aqui.
-Eu cheguei, não é mesmo? Qual é o problema?
Os acionistas não estavam mais sentados. Pareciam todos em pânico, e quando me olharam entrar na sala seus olhares imploravam socorro.
-Sentem-se por favor. Vamos aos fatos.
E depois de me explicarem que a “crise” era porque nossas ações haviam caído dois por cento naquela semana, eu lhes dei a seguinte conclusão com as mãos cruzadas perto da boca, apoiando os cotovelos na enorme mesa de vidro azul.
-Congelem tudo esse mês.
-Como? - Perguntou um dos acionistas meio pasmo.
-É simples: congele as ações neste mês, nada entra, nada sai. Enquanto isso os chineses vão morder a isca do petróleo, tudo se estabiliza, nossas ações vão bater no teto e tudo mundo vai querer uma fatia do nosso bolo canadense.
Todo mundo saiu da reunião meia hora depois feliz e contente, apertando as mãos uns dos outros como se o ano-novo fosse hoje mesmo.
-E então senhorita Menezes, satisfeita?
Teresa estava se contendo para não rir.
-É por isso que você é a dona Glória.
-E é por isso que você também é a dona querida. Eu jamais teria conseguido conter tantos acionistas loucos numa só sala.
Teresa deu um riso, enquanto abaixava a cabeça. Isso era característico dela. Tess tinha 30 anos, cabelos negros e lisos até o ombro, e olhos azul-acinzentados. Era um pouco mais alta que eu, tinha uma inteligência espetacular e um controle sobre si mesma que me deixava pasma. Eu a considerava como uma irmã. Quando parecíamos estar no fundo do poço nos reerguemos apoiando uma a outra. Ela me conhecia tanto que sabia tudo sobre o meu passado.
-E então, aceitou o convite?
-Como?...Você já está sabendo do convite para as conferências?
-Sim, Brian veio aqui hoje de manhã todo animado dizendo que ele mesmo havia colocado a carta na sua caixa de correio hoje de manhã bem cedo, você não viu?
Comecei a me lembrar vagamente de um papel branco na bancada da cozinha. Havia ficado tão chocada de receber o recado na secretária que nem havia prestado atenção.
-Mas...o recado na secretária disse que eu receberia o aviso por escrito daqui há dias...nem tive tempo de pensar...
-Pois é. Mas sabe como é o Brian, sempre quer correr mais que o mundo.
-Ele está na cidade?
-Sim. E disse que veio lá de Berlim só para te ver. - Disse Tess cantarolando.
Brian Nellite era natural de Nova Jérsey, mas morava na Alemanha há nos. Loiro, de olhos verde-azulados, um bronzeado natural abençoado por Deus, alto, sorriso marcante...o tipo “sonho para qualquer mulher”. Era um homem de negócios, trabalhava principalmente para os sindicatos trabalhistas, era um negócio lucrativo representar grandes empresas. Desde que abrimos ele era uma pedra no nosso sapato, sempre procurando uma vírgula errada para nos fechar. Depois simplesmente começou a nos ajudar. Pouco tempo depois ele me deu a razão: estava apaixonado por mim. Primeiro veio choque, mas logo cortei suas esperanças. Ele acabou por fim entendendo, e se tornou um amigo, mas às vezes era egocêntrico demais. Levantei-me da cadeira com raiva daquilo tudo.
-Pois ele está perdendo o tempo dele, eu não vou! JAMAIS! - Estava gritando sem notar.
-Opa!!! Mas você acabou de me dizer que não tinha se decidido.
-Eu sei, mas... - Fui interrompida com o celular tocando. Era Cris.
-Oi Cris.
-Glória você vai pra Alemanha? - Ela falou gritando, embolando uma palavra na outra.
-Como você sabe disso?
-Eu peguei a correspondência de manhã e acabei de lê-la.
-Você fez o que?
-Ah, poxa me desculpa. Eu sei que não era minha, mas agora já era. Mana você vai aceitar?
-Eu...eu não sei... Cristine...eu estou com um milhão de coisas na cabeça, não estou em condições de resolver nada.
-Sei, sei, entendo...
-Me desculpe por não te levar na patinação hoje.
-Ah, nem esquenta com isso! Já arrumei quem leve. A mãe da Vick vem me buscar.
-Que bom... vê se toma cuidado tá?
-Pode deixar maninha. E você também.
Nós desligamos. Eu havia chamado Cristine para fazer sua faculdade aqui e morar comigo há quase um ano. Foi uma das minhas melhores decisões. Eu tinha um duplex enorme numa cobertura, que dividia com a minha cadela, mas ter alguém da família ali, que viveu o mesmo passado que eu era outra coisa.
-Era a Cria? - Teresa costumá-va chamá-la assim, já que quem cuidava dela feito uma mãe era eu.
-Sim, era a Cria. Ela já está sabendo de tudo. Ela leu a carta.
-Bem, fazer o quê? Eu se fosse você não tomava nenhuma ação precipitada. Mas pensa bem: será que esta não é a oportunidade de consertar seus erros do passado?
Olhei desanimadamente para Tess, sabendo que provavelmente aquilo era verdade.
-Que horas são? - Perguntei fechando os olhos e esfregando a mão na cebeça, tentando não pensar em Bill.
-Nove e meia da manhã.
-Não são nem dez horas e já resolvi a crise da semana. - Tess riu da minha piada. Na verdade, acho que ela é a única que ri sinceramente.
-Que horas o Brian vem?
-Ás onze. Disse que quer nos levar para almoçar fora.
-Que seja. Não comi nada até agora.
-Não? Mas não seja por isso. Vamos até o refeitório e fazer hora até que Brian chegue. Não tem mais trabalho, pelo menos por enquanto.
-Não estou bem mesmo para aturá-lo hoje.
-É Glória, mas vai ter que aturar. E já vou te avisando: ele vai fazer de tudo para te convencer a ir para Berlim.
“Ele faz isso porque ele não sabe de nada, mas eu não vou contar”.


I dreamed once you
In this dream you kissed me and hugged me strongly
Woke with the taste of your lips in my mouth
And when I turned, I saw you stays by my side

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