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 Wir kehren zum Ursprung züruck

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Pâmela.O.d.S
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MensagemAssunto: Wir kehren zum Ursprung züruck   Seg Nov 07, 2016 4:33 pm

Fic: Wir kehren zum Ursprung züruck
Personagens principais: Tom e Romy
Personagens secundários: Bill
Gênero: amizade

Escrevi essa fic em 2013 e devido a vida de "adulto" resolvi voltar pro forum pra reviver as alegrias de ser uma fã de TH, o que faz voltar a sonhar e deixa minha vida mais leve.

Espero que gostem

***

Los Angeles. Era pra lá que eu estava indo. Eram 22:30 e ainda faltavam mais 2 horas de voo. Olhei para o meu lado e vi meu irmão gêmeo dormindo desajeitadamente, respirando lento e de forma tranquila. Não conseguia dormir e também não sabia porquê. Algo me incomodava interiormente. Sempre que eu visitava a Alemanha, me vinham a mente lembranças às quais me faziam sentir mal. Talvez por nostalgia? Pelo passado? Não sei dizer, mas me deixavam confuso.
Passaram-se as torturantes 2 horas e chegamos ao nosso destino. Finalmente eu iria para casa, sem fãs, sem fotos, sem notícias, sem rebuliços. Apesar de muitas celebridades dizerem que em L.A não se tem paz por causa dos paparazzis, com nós era ao contrário. Lá era um dos poucos lugares onde eu e o Bill tínhamos privacidade.
Assim que paramos em casa, Bill foi diretamente se deitar pois em 6 horas teria que estar de pé para fazer as gravações de voz. Testar alguns efeitos novos na voz para o "novo som da banda". E eu fui tomar um banho e depois tomar algum analgésico para conseguir atrair o sono. Eu não iria gravar meus acordes hoje, estava sem cabeça pra isso. Ficaria em casa tentando encontrar um jeito de ser útil para alguém. Sim, eu também tinha os meus dias de depressivo.

Amanheceu e o Bill já estava de pé se arrumando enquanto eu estava sentado na poltrona da sala, olhando para fora da janela.

- Ué, acordado há esse horário, Tom? - Perguntou enquanto colocava suas correntes no pescoço.
- Não consegui dormir.
- Por que se sente um inútil?
- Como sabe que me sinto um inútil?
- Sou seu irmão gêmeo. Preciso dizer mais alguma coisa? - Disse, parando de arrumar os anéis em seu dedo e me olhando nos olhos.
- Não. - Respondi sorrindo. - Pode ir. Daqui a pouco eu melhoro.
- Tá bom. Qualquer coisa estou no estúdio. - Foi a última coisa que ele disse antes de pegar o casaco e bater a porta ao sair.

Encontrava-me sozinho no silêncio novamente. E assim eu queria. Não gostava de ficar na presença de ninguém quando não estava de bem comigo mesmo. Eu era um ótimo conselheiro: as pessoas sempre me procuravam para desabafar. Mas detestava receber conselhos. Simples assim.
No meio tempo em que fiquei sozinho resolvi ligar para o Georg. Com certeza ele ia me fazer rir de alguma idiotice que fez durante o dia anterior. Ele é a pessoa mais desastrada que eu conheço, porém ele não atendia. Droga. Devia estar experimentando a namorada de plástico dele.
Algumas horas se passaram e eu resolvi brincar com Scotty para me animar.

- Scotty!- Chamei meu cachorro, logo assobiando e ele veio abanando o rabo. - Muito bem, garoto. - Acariciei seu pelo. - Vamos brincar lá fora, vamos.
Peguei a bolinha dele e o guiei até o jardim. Era por volta das 10h e havia um sol fraco por causa de algumas nuvens que estavam no céu. Comecei a correr jogando a bolinha pra longe de Scotty que pulava a todo momento. E assim se foi 40 min.

- Ai, Scotty. Chega por hoje. - Disse cansado e um pouco suado, sentando-me num banco branco de madeira que havia no jardim. Respirei por algum momento e ouvi um barulho estranho no portão como se tivessem jogando pedra. Fui até lá pra ver o que era. Abri o portão preto furioso.

- Olha aqui moleques, vão jogar pedra no portão outro.
E a única coisa que vi foi um garoto que devia ter no mínimo uns 10 anos. Com a roupa suja e segurando uma sacola vazia.
- Moço, tem alguma coisa pra mim comer? - Ele perguntou normalmente sem se importar com meu aborrecimento por ter batido tão forte no portão.
- Ahn.. Era você que estava batendo no meu portão?
- Sim. É que eu estou com fome. - Ele disse pondo a mão na barriga.
- Err.. Pode entrar. - Disse meio sem jeito, dando entrada pra ele.
Fomos até a cozinha. Ele se sentou à mesa enquanto eu pegava tudo que encontrava dentro dos armários.
- Nossa, eu acho que nunca vi tanta comida na minha vida. - Disse admirado. Eu apenas sorri. Coloquei todos os pacotes em cima da mesa, depois pegando mais alguns produtos da geladeira.
- Pode pegar tudo o que você quiser. - Ele abriu todos os pacotes, pegando um pouco de cada coisa e colocando desesperadamente na boca.Comia como um animal que não tinha feito uma refeição direita a semanas.
Comecei a reparar nos traços dele e notei que ele tinha uma cicatriz no rosto e arranhões nos braços: era um espertinho, como eu era quando tinha essa idade.

- Anda. Fala o que veio fazer nessa parte da cidade. - Ele hesitou um momento, me olhou e depois disse sinceramente:
- Você já reparou aonde mora? Cara, aqui só tem granfino. É óbvio que os ricaços iam ficar com pena de mim e me dar comida. - Eu ri.
- Como sabe que eu sou malandro, tio? - Ele perguntou
- Eu já tive a sua idade.
- Mas garanto que não passou metade das coisas que eu passo na rua.
- É mesmo morador de rua?
- Acha que se eu não morasse na rua, ia tá pedindo coisa aqui? Poh sô orgulhoso pra caramba tio.
- Você me lembra muito eu na minha infância garoto. - Nós dois rimos. - Fala aí, quantos anos você tem?
- 11. - Falou com a boca cheia.
- E seus pais?
- Nasci sozinho. - Respondeu sério. - E vou morrer sozinho. O mundo é assim. Não te avisaram não?
- Falo sério.
- Minha mãe me deu pra uma moça na rua assim que me teve e não sei quem é meu pai. Pelo menos é o que me disseram.
- E quem cuida de você?
- Era a dona de um lixão. Mas ela bateu as botas e agora eu me viro sozinho. Quer dizer, tem uma turma comigo. 4 garotos que eu considero como irmãos e uma garota que.. sabe, não considero uma irmã se me entende. - Ele riu de maneira maliciosa.
- Malandro. - Eu disse dando um soco fraco em seu braço esquerdo.
- Tem que ser né, tio.
- E o que quer ser?
- Feliz. - Analisei seu rosto por um momento e ele falava sério.
- Quer não quer, não é? Mas digo profissionalmente.
- Eu não sei. O que eu posso ser? - Apesar de falar como um adulto, ainda assim podia-se ver que aquele garoto era apenas uma criança inocente.
- Ah, tem muitas coisas. Você pode ser professor, dentista, dançarino, enfermeiro, psicologo. Há muitas opções.
- O que você é?
- Eu? Sou músico.
- E da dinheiro?
- Bem, na maioria das vezes não, mas quando você dá sorte como eu dei, acaba rendendo uma boa grana sim.
- Nota-se pela sua casa. Que sorte hein!.. Um dia eu vi um cara na tv quando tava passando por uma vitrine. O cara arrasava na guitarra, tinha estilo e tudo mais e era o maior pegador pelo que falaram dele.
- Ah é? E quem é?
- Eu não lembro. Ele tinha umas rastas loiras, sabe, e usava roupas bem largas... - Ele parou de falar e fixou o olhar num canto da cozinha. - Ali. É aquele cara ali que eu vi. - Disse, apontando para um porta retrato ao lado da geladeira. Estávamos eu, o Bill, Georg e o Gustav, segurando o prêmio que ganhamos da MTV no VMA como melhor artista revelação nos EUA em 2008.
- Aquele sou eu. - Sorri.
- Mentira.
- Sim, sou eu. - Então ele olhou do porta retrato pra mim, voltando novamente para o porta retrato.
- Cara, o que anos fizeram com você hein? - Eu caí na gargalhada e ele também. - Sério. Você era muita mais estiloso antes. Agora você parece... - ele me analisou- um velho infeliz. - Suspirei pesado.
- As coisas mudam moleque. Um dia você vai ficar igual a mim.
- Não me roga essa praga, não tio. - Eu ri.
- Para de drama moleque.
- Mas, falando sério. O que houve com você? Você parecia feliz antes e agora.. seilá.. Tá caidinho.
- Eu sei. Mas não consigo voltar ao que eu era.
- É isso que eu não entendo nas pessoas ricas. Tem dinheiro e são infelizes. Por que você não vai viajar. Ou pegar alguém. Ou abri um negócio novo.
- Não é fácil assim.
- É sim. Vocês adultos que complicam. Quando eu estou com fome vou atrás de comida. Quando vocês estão tristes não fazem nada.
- Vamos trocar de assunto, vai.
- Fracote. - Ele tossiu.
- O quê?
- Sabe o que seria legal? Alguém abrir um abrigo para moradores de rua. - Mudou de assunto.
- Pensei que gostassem de viver na rua.
- Ninguém gosta. Quer dizer, tem um velhos que gostam porque não tem que tomar banho, mas fora isso.
- Qual é o seu nome?
- Romy.
- Romy?
- Romy.
- Que raio de nome é Romy?
- Vai ficar zoando o meu nome agora é? Sempre me chamaram assim. Romy!
- Ok, Romy. Você fica sempre por essa zona?
- Não. Só vim porque estava realmente com fome. Mas de vez enquanto a gente ronda por aí... Cara, agora eu realmente preciso ir. Mas ó valeu pelo almoço aí. Eu tava com muita fome mesmo.
- Pode levar tudo isso.
- Sério?
- Sério.
- Poh tu é um cara legal, viu.
- Eu sei moleque, eu sei. - Me vangloriei.

Assim ele colocou tudo na sacola que carregava quando entrou e eu lhe dei mais outra cheia de comida pronta.
- Valeu mesmo, Tom. - Olhei-o duvidoso. - Eu gravei o nome do guitarrista até hoje. - Se defendeu.

Assim eu acompanhei até o portão e quando ele finalmente foi embora eu pensei na conversa maluca que a gente teve e comecei a rir. Até que ele era um garoto legal. De repente senti um bom humor dentro de mim.

Entrei e abri as cortinas do primeiro piso, depois subi as escadas e abri todas as janelas do segundo piso.
A tarde passou tranquila e logo Bill chegou.

- Pensei que iria chegar mais tarde.
- Não. Terminei rápido as gravações. Minha afinação está perfeita hoje... Vejo que melhorou.
- Sim.
- Vou ver algo pra comer.
Ele começou a abrir todos os armários.
- O que você fez, Tom? Jogou a tristeza na comida? Porque não tem quase nada aqui.
- Digamos que eu fiz um pacto com a força maior lá de cima. Comida em troca de satisfação.
- Satisfação com o que?
- Sou uma ótima pessoa, ora.
- Aff pelo visto voltou ao normal.
- Mais que nunca... Sabe, Bill nós deveríamos abrir um abrigo.
- Pra animais? - Perguntou vasculhando a geladeira.
- Não. Pra crianças abandonadas. - Ele me olhou.
- O que houve enquanto eu estive fora?
- Nada. Só acho que se temos como fazer isso, por que não fazer? Se podemos ajudar por que não ajudar?
-... Podemos pensar no assunto. Fale com nossos assessores. Mas agora não é possível, o álbum não pode esperar mais. Daqui a pouco haverá fãs jogando pedras na nossa janela.
- Tudo bem.

E assim a noite correu bem, também. Voltaria à Alemanha de novo. Na minha cidade, rever algumas coisas, me encontrar. Renovar meus objetivos e procurar melhorar a sintonia da banda. Aliás as coisas sempre mudam, mas você nunca pode esquecer de onde veio e quem você é. Como diz uma das frases tatuada na costela do meu irmão: Wir hören nie auf zu schreien. Wir kehren zum Ursprung züruck (Nós nunca paramos de gritar. Voltamos às nossas origens)
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