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 Meine Schutzengel

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MensagemAssunto: Meine Schutzengel   Qui Jul 22, 2010 12:15 am




Autora: Ally Kaulitz
Personagens: Lyra, Bill Kaulitz, Tom Kaulitz, Georg Listing, Gustav Schäfer e mais alguns que aparecerão mais não serão tão importantes.
Classificação: PG 16
Gênero: Romance, Drama
Beta-Reader: World.
Terminada ou não: Ainda não.

OBs: Tokio Hotel não será uma banda.

Teaser:

"Era apenas mais um dia comum...
As mesmas chatiações de sempre...
As mesmas aulas chatas de sempre...
As pessoas nunca pareceram tão rudes e crueis...
Mas desde quando cheguei naquela escola elas se tornaram assim comigo;
Não sei porque eu me importo, eu já deveria ter me acostumado e não deveria ligar para o que os outros acham...
Mais isso doi muito, eu não queria ter nascido assim...Mas eu nasci.
E não há nada que mude o fato de eu ser... Cego!"


E então, posto ou não?
Alguma alma caridosa se habilita a ler?


Última edição por Ally Kaulitz em Seg Ago 08, 2011 12:05 am, editado 3 vez(es) (Razão : Erro na foto)
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MensagemAssunto: Re: Meine Schutzengel   Qui Jul 22, 2010 12:30 am

Eu *-* posta *O*
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MensagemAssunto: Re: Meine Schutzengel   Qui Jul 22, 2010 2:09 am

eu também

posta
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MensagemAssunto: Re: Meine Schutzengel   Qui Jul 22, 2010 4:00 am

Posta vai,eu quero ler
Não me mata de curiosidade, please
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MensagemAssunto: Re: Meine Schutzengel   Qui Jul 22, 2010 3:37 pm

Hello liebes! Espero que gostem da minha nova fic, é totalmente diferente das outras que eu faço e sinceramente eu acho ela muito especial.
Bom, mas chega de enrolação e aqui fica o primeiro capitulo. Tomara que eu não faça ninguém chorar.
Espero que gostem e boa leitura^^



“A escuridão me rodeia
Não há luz em meu caminho
Minha vida é pura treva
E eu caminho sozinho”



A fria manhã já havia despertado e o vento atravessava a janela indo de encontro ao meu corpo na cama. O intenso vento presente em meu quarto estava me dando arrepios. Sem muita paciência levantei de meu leito quente e caminhei sob o piso frio até a janela fechando-a em seguida. Fiz esse trajeto sem precisar tatear nada. Meu quarto havia passado por mais uma adaptação. Havia agora poucos móveis, bem menos do que tinha antes e o espaço havia triplicado. Não era mais preciso tatear ou se escorar em nada. Voltei para cama e me joguei sobre ela sentindo-me afundar no macio colchão, espalmei-o a procura de meu cobertor, ao achá-lo cobri-me até a cabeça. Meu sono estava me embalando novamente mas para meu azar, o despertador largado sob o criado mudo começou a tocar anunciando o começo de um dia infernal, por assim dizer. Bati com força minha mão nele fazendo despencar rumo ao chão. Mesmo se estatelando no piso o insuportável toque continuou a ecoar pelo quarto. Peguei meu travesseiro e coloquei sob minha cabeça virando de bruços. O barulho não cessou mas pelo menos ele se tornou mais suave em minha cabeça. Passos largos e rápidos eram dados na escada e meu quarto parecia chacoalhar. Meu pai abriu a porta vagarosamente e caminhou até mim. Sentou-se do meu lado enquanto tirava a coberta de meu rosto e desprendia de meus dedos o travesseiro.

-Bom dia filhão. – gritou ele fazendo-me inclinar e procurar seu olhar para fita-lo. – Vejo que quebrou mais um despertador, estou vendo que vou ter que investir numa fábrica desses. – Ele pegou o despertador estraçalhado que ainda apitava e desligou por completo. -levante logo senão vai chegar atrasado na escola. – Ah escola. Por que eu tinha que ir para lá? – Vamos levante hoje sua mãe irá levá-lo até lá, eu tenho uma viagem de negócios, mas estarei de volta em breve. – Gordon beijou meu rosto e caminhou para fora de meu quarto batendo a porta atrás de si.

Novamente sozinho, suspirei enquanto esfregava meus olhos com as costas de minhas mãos. Sem alternativa alguma, levantei-me e caminhei de forma desajeitada até o banheiro, estava tonto de sono. Não havia dormido nada preocupado com meu irmão. Aliás, esta bendita conexão me assola as vinte quatro horas do dia. Meu irmão se culpa pelo que aconteceu comigo, mas ele não é culpado. Se existe algum culpado eu realmente não sei, mas tenho certeza que não é ele. Embora o mesmo não acredite quando eu digo isso. Ele pouco me visita se não fosse esta conexão que nós temos, nada me ligaria a ele. Eu não saberia como está, nem como sente. Seria um total desconhecido de meu próprio sangue. Seria ausente, porém eu sou ausente, mas me faço presente através dos sentimentos e da distancia que nos mantém unidos, mesmo que ele não admita isso. Embora ele ache que quem tem dó dele sou eu, quando eu sei que todos têm dó de mim. Sem exceções. Fiz minha higiene matinal rapidamente e caminhei até o Box. Tirei minha boxer a única coisa que eu usava para dormir e liguei o chuveiro. Entrei embaixo de sua água quente enquanto sentia meu corpo todo relaxar, queria que aquela água pudesse lavar minha alma. Queria que ela pudesse levar esta dor embora. As vezes eu queria não ser eu, queria estar no corpo de outra pessoa. Queria enxergar através dos olhos dela se o céu é realmente azul, se o arco-íris tem sete cores, se o mar é realmente o céu de ponta cabeça. Quando se vive na escuridão involuntariamente e por falta de opções a única cor que se pode ver e admirar é o preto.

Desliguei o chuveiro e caminhei para fora do box tateando a parede a procura de minha toalha. Sequei-me e por ultimo enrolei-a em meus cabelos voltando em direção ao quarto. Minha roupa estava em cima da cama e a mesma já estava arrumada. Minha mãe já havia feito isso por mim, mesmo sabendo que eu preferia fazer isto por mim mesmo. Vesti as roupas escolhidas por ela, calcei meus tênis e coloquei meu óculos escuros. Peguei minha bengala e sai rumo a cozinha.

Hoje seria a volta ao inferno. Hoje voltaríamos aquele maldito lugar.
[b]Porque pessoas como eu tem que ir para a escola só para ser humilhado? Seria tão bom se nós os deficientes pudéssemos nascer sabendo tudo o que é preciso para não precisar ir à escola. Para não precisar passar por este tipo de preconceito... Tido como um coitado que vaga pelo escuro. Seria tão bom se isso acontecesse, mas é como dizem nada é do jeito que nós queremos. E o que tem chegar tarde ao colégio? Que diferença vai fazer chegar atrasado ou não? Minha vida não vai melhorar e a minha situação naquele lugar menos ainda. O cheiro de café e torta se fazia presente em todos os cantos da casa, novamente minha mãe havia caprichado na receita. Adentrei a cozinha sendo recebido por muitos elogios e um monte de beijos no rosto.


-Cada dia que passa, está mais lindo. –Disse minha mãe segurando meu rosto entre suas mãos, dando vários beijos em minha testa. Não pude deixar de sorrir ao vê-la assim.

- Bom dia vejo que está mais alegre hoje.

-Venha sente-se senão o café o vai esfriar. – Disse ela puxando a cadeira para mim enquanto me servia um pedaço de torta de morango.

-Animado para a escola?

-Sim, muito. –respondi enquanto mordia um pedaço da torta que ela havia me servido. Ela sabia que eu adorava isso no café da manhã, então sempre preparava e ficava orgulhosa de me ver comer tão bem, coisa que antes eu não fazia muito, pois ficava dias a base de água e sem fome alguma. Não gostava de mentir, mas não queria que ela soubesse a verdade. Não queria que tivesse pena de mim como todos os outros tinham. Nós permanecemos na mesa um do lado outro porém o silêncio era mantido, só se era ouvido o barulho dos talheres que raspavam a cobertura que havia ficado no prato.

[b]-Já terminou seu café? Ela me perguntou pegando as chaves do carro que estavam em cima da mesa.
Balancei a cabeça positivamente enquanto limpava minha boca com um guardanapo.

-Então vamos querido, senão você vai chegar atrasado.

-Ok, vamos. Disse sem nenhum interesse, afinal aquele lugar estava longe de ser um colégio. Eu era o garoto que todos tinham pena, que ninguém sentava do lado, que todos viam como um coitado. Simplesmente odiava isso. Sempre sofri preconceito por causa de minha deficiência, mas depois que eu entrei nesse lugar as coisas ficaram bem piores do que eu podia imaginar.

Minha mãe seguiu na frente e foi tirando algumas coisas do chão para evitar que eu caísse e me machucasse, pelo visto a noite do meu pai com os amigos aqui em casa foi boa. Era sempre assim no domingo, os amigos dele vinham aqui e ficavam o dia inteiro jogando truco e sinuca, comendo churrasco e bebendo cerveja.... Eu bem que queria me juntar a eles, mas eles nunca me olharam como um garoto mais sim como um deficiente não era necessário ver para saber as expressões de pena.

E isso eu conhecia melhor do que ninguém.

Minha mãe havia me pedido para esperar, mas como eu odeio fazer isso fui andando na frente e acabei tropeçando num vaso de flores que havia em meu caminho, se não fosse por ela sair correndo e se jogar na minha frente me abraçando. Acho que agora nós estaríamos a caminho do hospital e eu provavelmente com um corte lindo na testa, já que eu bateria minha cabeça nos degraus da porta de casa. Minha mãe me colocou em pé e seguiu até o sofá onde eu tinha deixado minha mochila, sem dizer nada nós seguimos para o carro.

- Mãe a senhora está bem? –Ela não me respondeu nada. O silencio era constrangedor. – Mãe fale comigo! - Novamente não obtive resposta. Tirei meu cinto de segurança e levei minha mão até seu rosto, meus dedos logo foram molhados por lagrimas. Naquele momento eu me senti um total inútil, eu nunca gostei de presenciar ninguém chorando, principalmente se esse alguém estivesse chorando por minha culpa. – Mãe, por favor, não chore. A culpa foi minha. Desculpe-me se por causa disso a senhora acabou se machucando. -Porque eu fui dizer isso? O choro silencioso dela agora se transformou em lagrimas e soluços incontroláveis. Jamais minha mãe havia ficado assim, eu não enxergava nada, mas era como se eu visse claramente a dor ela carregava silenciosamente... Eu era o fardo dela e ela me carregava em silêncio, sem nunca reclamar ou questionar tudo o que estava acontecendo. Ela colocou a chave na ignição e colocou a cabeça sobre o volante, eu sabia disso por que a buzina logo foi acionada fazendo barulho e fazendo-a tomar um susto.


[b]-Mamãe, Por favor, não chora! A culpa não foi sua, está tudo bem agora. Eu insistia em pedir a ela para não chorar, enquanto enxugava suas lágrimas e afagava de leve seus cabelos. – Por favor, não fique assim, dias melhores virão. - De onde eu tirei essa frase eu não sei, só sei que disse a ela num tom de convicção, mas na verdade eu não tinha fé nisso. Não acreditava em dias melhores, na verdade eu não acreditava em mais nada. Minha mãe se acalmou, ligou o carro e seguimos para o nosso destino.


Quinze minutos depois chegamos ao colégio, ela me deixou na porta e antes de ir embora me desejou um ótimo dia e uma boa aula e claro me deu um beijo na bochecha como sempre. Ela seguiu para o trabalho enquanto eu me preparava mentalmente para tudo que viria.


Bom é agora que o circo começa e a atração acaba de chegar, ou seja, EU. Fui caminhando com minha bengala pelo portão do colégio, não podia ver mais podia sentir muitos olhares em cima de mim, subi alguns degraus daquela escada com certa dificuldade enquanto varias “pessoas” que estavam lá fora riam de mim. Fiz de conta que não ouvia nada e abri a porta entrando no corredor.

-Olha o ceguinho gente! Ninguém vai ajudar ele a subir a escada para sala? -Perguntou uma voz rouca em meio uma multidão que logo se desmanchou de rir.

Cara idiota, se fosse você duvido que fosse agüentar tudo isso.

-Coitado dele! - Disse outra voz que passou ao meu lado no corredor. Coitado de mim? Coitado de você que enxerga mas ao mesmo tempo não é capaz de ver um palmo a frente.

-Cuidado ceguinho, não vai se perder. Gritou uma voz do andar de cima. Essa é boa, se eu andasse com você eu já estaria perdido.

-Olha por onde anda ceguinho! Disse uma voz feminina e logo toda a gente naquele corredor ria de mim. Essas pattys, para que elas servem? Ela sim deveria olhar por onde anda.

-Ceguinho quantas vezes você vai ter que ouvir e entender eu VOCÊ NÃO PERTENCE A ESTE MUNDO, AO NOSSO MUNDO, gritou uma voz vinda sei lá de onde e todos aplaudiram. Será que esse cara não sabia mudar de fala? Era sempre a mesma e sempre os mesmos idiotas a aplaudi-lo. Sociedade miserável. Mais dia menos dia eles vão se arrepender de dizer isto. Eu já devia ter me acostumado com isso, mas doí tanto. Eu apenas ouvia tudo e nunca rebatia , justamente por não valer a pena. A sociedade cresce, mas continua mente fechada. Sempre preconceituosa, sempre excluindo as pessoas.

Era sempre assim que começava meu dia. Meu deus por que eu? Porque eu tinha de ser cego? Porque para mim foi negado o direito de ver o céu azul? O arco-íris? Porque a escuridão e não a claridade? Eu sempre questiono isso. Não me aceito dessa forma.
Não é somente as pessoas desse lugar que tem preconceito comigo, eu também tenho. Eles simplesmente lançavam as adagas sobre mim e cravavam-nas em minha pele e eu terminava de levá-las até minha alma, mas de uma coisa eles estavam certos... Eu realmente não pertenço a este mundo.

Bom, mas deixe-me me apresentar, meu nome é Bill Kaulitz e eu sou deficiente visual, ou seja, eu sou cego.


Eu caminho por uma estrada solitária
A única que eu sempre conheci
Não sei até onde vai
Mas é um lar para mim e eu ando só

Eu caminho por esta rua vazia
Na avenida dos sonhos destruídos
Onde a cidade dorme
E eu sou o único, e eu ando só

Minha sombra, a única coisa que anda ao meu lado
Meu coração falso, e a única coisa que bate
As vezes eu desejo que alguém me encontre
Até lá, eu ando só

(Boulevard Of Broken Dreams - Green Day)


Espero que tenham gostado.
E então, continuo?
Beijos


Última edição por Ally Kaulitz em Seg Mar 28, 2011 2:25 pm, editado 2 vez(es) (Razão : atualização/ reescrita)
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MensagemAssunto: Re: Meine Schutzengel   Qui Jul 22, 2010 3:59 pm

*Leitora Nova*
nossa.. que fic diferente, o Bill sendo cego.
parabéns, já me comovi com seu 1º cap. e espero pelos próximos *-*
CONTINUA
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MensagemAssunto: Re: Meine Schutzengel   Qui Jul 22, 2010 6:14 pm

Nossa D: coitado do Bill, todo mundo gozando dele DD:
Continua Ally *-*
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MensagemAssunto: Re: Meine Schutzengel   Sab Jul 24, 2010 9:53 pm

Hallo liebes, Bem vinda Kiinha!
Vou deixar mais um capitulo e espero que vocês gostem, a situação do Bill é ruim, mais um dia melhora.
Boa leitura^^





Não há luz.
Não há paz.
Não há ninguém aqui além da minha sombra.
Meu coração vaga a procura de algo que seja real.
Minhas lembranças são inconstantes.
Meu passado é meu presente.
E minha luz no fim do túnel é inexistente.



Sim eu sou cego! Nasci assim e provavelmente vou morrer assim também.

Desde criança sempre sofri muito com os preconceitos. Mesmo saindo com meus pais eu ainda era ridicularizado, humilhado e digno de pena. Foi justamente por esses motivos que meus pais me criaram distante do mundo; trancado em casa junto com meu irmão gêmeo, Tom.
Tom sempre esteve ao meu lado, mas nunca se conformou por ele poder enxergar e eu não, tanto é que quando nós tínhamos quinze anos ele arranjou um trabalho e se mudou para Oberhausen. Distante de mim. Como nós somos como um, eu sempre soube que ele sofria calado por me ver nesta situação. Ele simplesmente foi embora por não conseguir aceitar a realidade... a simples e cruel realidade de ter um irmão que não enxerga... Ele se culpa por isso e se chama de covarde por não ficar, mas eu entendo os reais motivos e prefiro-o longe, desta forma nós não sofremos muito. Foi uma separação triste e dolorosa mais necessária, pois se não fosse assim meu irmão não estaria vivendo a vida dele. Eu sempre fui um fardo para nossos pais, não queria que ele me carregasse nas costas também.

Eu cresci cercado por grades que me impediam de ver o mundo como ele realmente é... Cruel e desumano, não que todas as pessoas sejam assim, com certeza existem muitas pessoas boas ainda, mas estas simplesmente ainda não apareceram em meu caminho.
Durante os meus primeiros anos de vida eu fiquei em hospitais entre cirurgias e tentativas frustradas de enxergar novamente. Meus pais nunca desistiram só deram-me um tempo. Eu era muito pequeno e isso me chateava muito, além de viver rodeado por médicos e enfermeiras o dia inteiro, eu ainda vivia em mundo de escuridão.

Eu fui crescendo e as atividades que eu fazia em casa já não eram o suficiente. Eu queria cruzar as barreiras que me impediam de sentir o sol em meu rosto ou de tomar um simples banho de chuva no gramado. Estava cansado de sempre ficar em casa. De estar sendo sempre vigiado entre quatro paredes. Meus pais mesmo relutantes, após conversas e conversas decidiram por me colocar numa escola em que as crianças tinham o mesmo problema que eu. No começo foi tudo as mil maravilhas, eu aprendi diversas coisas. Coisas as quais eu achei que nunca pudesse fazer, mas por infelicidade eu durei pouco naquele lugar. Por ter a mesma deficiência éramos tratados igualmente pelos professores e funcionários que eram amorosos e protetores, mais o preconceito vinha dos pais dos outros alunos e isso não acontecia somente comigo. Minha mãe presenciou uma cena em que eu e outro menino éramos vítimas de chacota por um dos pais e no mesmo dia ela me tirou da escola. Novamente eu fiquei em casa sem fazer nada, eu já estava morrendo de tédio quando um belo dia meu pai chegou da empresa dele e disse que em uma semana eu começaria num colégio novo, na verdade era um colégio particular e muito caro. Eu não queria aceitar, afinal não queria dar trabalho a eles mais eu não tive muita escolha.

Comecei a estudar na melhor escola particular daqui da Alemanha. Meus pais tinham altos custos comigo por sempre me darem do bom e do melhor... Coisa que eu nunca me importei, só o amor e o carinho deles já eram suficientes... Tinha aulas de Braille, violão, canto, natação e as outras aulas como as pessoas perfeitas têm só que usando o Braille.

Tudo ia muito bem até aquela tarde em que a diretora chamou minha mãe na escola para conversar.

Dona Simone, Bill é um menino de ouro... Muito esforçado, tem fácil aprendizado. Não podemos trancafiá-lo aqui e protegê-lo do mundo. – Ela dizia como se já não fosse óbvio.

-Eu sei, que não podemos fazer isso... Mas... Não entendo o motivo de não deixá-lo aqui. Aonde você quer chegar com isso? – Ou minha mãe não tinha entendido, ou estava se fazendo de desentendida. Esta indireta era extremamente direta e bem clara.

-Ele é estudioso e muito esforçado como já havia dito a senhora, mas nós aqui já ensinamos tudo que podíamos ao Bill, está na hora de ele freqüentar uma escola normal.

-Como freqüentar uma escola normal? Ele não é uma pessoa qualquer, ele é... Especial. –Disse ríspida minha mãe.

-Eu sei que ele é especial e muito especial.... Mas está na hora dele conviver com pessoas da mesma idade, ele tem potencial e inteligência para isso. Nós estávamos o analisando e ele passou em todos os testes.

-Como assim? Analisando-o sem a minha aprovação nem a de meu marido? Como vocês fazem isso sem ao menos nos contatar ou avisar antes?

-Acalme-se, isto é uma norma da escola. Bill é inteligente se sairá bem aonde quer que vá. Aqui nós já não podemos fazer nada por ele. Não temos mais nada a ensiná-lo.

-Tudo bem, vou conversar com ele e mudaremos de escola. Obrigada por me informar. - Minha mãe tratou de cortar logo o papo da diretora, não acreditou em nenhuma palavra que ela disse, mas se eu realmente estava adepto, por que continuar perdendo tempo? Na semana seguinte, minha mãe me inscreveu nesta escola.


Nem eu nem ela queríamos fazer isso. Eu não queria freqüentar uma escola normal, pois eu já sabia que não seria tratado como tal.

Os dias foram passando e finalmente chegou meu primeiro dia nesse lugar. No principio eu era como uma tela nova no museu... As pessoas se aproximavam, olhavam, tocavam, admiravam e seguiam seu rumo. Mas tudo que é novo mais dia menos dia acaba ficando velho e sem importância e foi isso que aconteceu comigo.
Depois de certo tempo que para ser exato de dez dias, eu virei motivo de chacota da escola toda por um único motivo: um tombo no refeitório da escola causado pelo idiota do Max. A partir daí minha vida nunca mais foi à mesma nesse lugar.

Eu não tenho paz aqui, sempre que alguém me vê em algum lugar dessa escola, começam os comentários rudes. Eu não deveria ligar, eu já deveria ter me acostumado... Mas dói tanto.

Por mais que machuque esses idiotas nunca vão saber, pois eu nunca abaixarei minha cabeça para eles.

Maldito barulho esse, era o sinal da escola avisando que as aulas iam começar. Que droga já vai começar e eu nem achei minha sala ainda! Belo inicio de volta as aulas. Continuei andando naquele extenso corredor, foi quando ouvi a voz de Max, apesar de ele ser o garoto que mais me perturba durante as aulas sua voz era meu ponto de referencia quando eu não sabia em que sala nossa classe ficaria. Segui seu timbre de voz e cheguei a porta da sala quando ia entrando uma bolinha de papel pesada acerta meu braço. Levei minha mão até o local e notei que havia algo pegajoso grudado ali. Era uma bolinha de pó de giz que foi molhada em baixo da torneira. Ridículos. O feitor apareceu e todos começaram a rir como sempre.

Rapidamente o professor de matemática entrou na sala, mandou todos ficarem quietos e começou aquela aula chata. Não prestei atenção em nenhuma das três primeiras aulas. Nisso de novo aquele sinal irritante tocou avisando que era a hora do lanche. Esperei todos saírem e fui o último a sair da sala. Eu estava andando em direção ao refeitório, apesar de ser cego eu conheço essa escola como a palma da minha mão, só tenho dificuldades com as escadas.

Cheguei ao refeitório, peguei meu lanche e sentei distante de todo mundo numa tentativa de ninguém me incomodar, comi meu sanduíche sossegado e tomei meu suco de melancia sem preocupação nenhuma, fiquei atento com isso, era sinal de que eles estavam aprontando alguma coisa. E realmente estavam... Eu me levantei da cadeira e dei dois passos longe da mesa indo em direção a porta para andar no jardim, foi quando senti algo bater em minha cabeça me jogando de cara no chão, a dor tomou conta do meu corpo e antes de apagar totalmente eu ouvia todos os comentários maldosos e risadas de todos os presentes naquele local, a dor piorou e eu apaguei ali mesmo, na frente deles em sinal de total derrota.

Acordei sendo sacudido por algo, tentei me levantar, mas fui impedido por dois braços que me mobilizaram.

-Fique quieto! Vou chamar sua mãe. Disse uma voz feminina um pouco rouca.

-Meu filhinho, o que eles fizeram com você? Perguntou minha mãe chorando enquanto me abraçava.

-Não sei, me lembro de algo acertar minha cabeça e eu cair... Mãe, onde eu estou? Perguntei a ela confuso.

-Querido você está na enfermaria da escola, vamos esperar só mais um pouco sua dor de cabeça passar e vamos para casa. - Eu assenti. Minha mãe se sentou na cama e abraçou-me. Eu podia sentir os batimentos de seu coração muito acelerados, ela me abraçou mais forte e ficou cantando para mim até a hora da enfermeira voltar e me dar alta.

Já passava das oito da noite quando nós chegamos em casa e fomos recebidos pelo meu pai em total desespero, pois minha mãe ligou de lá da escola e informou tudo que estava acontecendo para ele. Enquanto eles conversavam, eu fui para meu quarto e tomei um bom banho, coloquei meu pijama e retornei a sala. Meus pais se sentaram no sofá e me colocaram no meio deles, me abraçaram forte e assim eu fiquei ali até pegar no sono. Queria apenas que o amanha não chegasse para eu não ter que voltar para o inferno.




Você já se sentiu partindo ao meio?
Você já se sentiu fora de lugar?
Como se de alguma forma você não fosse daqui
E ninguém te entendesse?

Você já quis fugir?
Você se tranca em seu quarto?
Com o rádio ligado e o volume bem alto,
Para ninguém te ouvir gritando.

Não, você não sabe como é,
Quando nada parece certo,
Você não sabe como é,
Ser como eu!

Ser machucado, sentir-se perdido,
Ser deixado na escuridão,
Ser chutado quando você está mal,
Sentir como se você estivesse sido empurrado para fora

Estar no limite da razão, de quase explodir,
E não ter ninguém lá para te salvar.
Não, você não sabe como é,
Bem-vindo à minha vida!

Você quer ser outra pessoa?
Você está cansado de se sentir deixado de fora?
Você está desesperado para achar algo a mais,
Antes que sua vida acabe?

Você está preso em um mundo que você odeia?
Você está cansado de todos ao seu redor?
Com seus grandes sorrisos falsos e mentiras estúpidas,
Enquanto por dentro você está sangrando?

(Welcome To My Life - Simple Plan)


E então, continuo?
Beijos^^


Última edição por Ally Kaulitz em Seg Mar 28, 2011 5:34 pm, editado 2 vez(es) (Razão : atualização/ reescrita)
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MensagemAssunto: Re: Meine Schutzengel   Sab Jul 24, 2010 10:05 pm

Ahhh Crying or Very sad eu não sei o porque de fazerem isso com o Bill D:
continua Ally :]
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MensagemAssunto: Re: Meine Schutzengel   Dom Jul 25, 2010 3:55 pm

Nova leitora.
Não sei porque fizeram isso com ele Sad +1
Continua sim, Ally
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SRTªBIA KAULITZ
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MensagemAssunto: Re: Meine Schutzengel   Seg Jul 26, 2010 1:55 pm


ain que dó do Bill
concerteza deve ser muito dificil ser cego
não poderver o mundo do geito que é
e principalmente ser motivo de risada e de brincadeiras
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MensagemAssunto: Re: Meine Schutzengel   Qua Ago 04, 2010 6:56 pm

Hallo!
Olha eu aqui de novo.
Desculpe a demora, trabalhos fazem isso me deixam sem muito tempo.
Bem vinda Bia, espero que goste da fic. Personagem nova entra hoje em ação.
O capitulo de hoje é meio chatinho, mais necessario.
Enjoy Smile




Agonia.
Tristeza.
Escuro.
Tingiram de preto o meu mundo.
Triste fim teve o sol.
O brilho das estrelas viraram pó.
Meu caminho é nublado e sem fim.
Foi arrancada a outra parte de mim.


Eu havia adormecido no sofá, porém ao acordar estava na minha cama. Com certeza meu pai havia me trazido para o quarto. O som chato do despertador ecoou por todo quarto, desta vez um sorriso tímido brotou de meus lábios. Eu não fora acordado por esta coisa. Sentei-me sob o macio colchão e me espreguicei. Aqueles idiotas não iriam me vencer. Não é porque jogaram sei lá o que na minha cabeça que eu ia desistir de levar uma vida normal. Levantei da minha cama automaticamente pondo os pés no chão; senti meu corpo tremer em contato com o piso frio e uma brisa gélida envolveu-me me deixando completamente arrepiado. Fui em direção ao banheiro cambaleante, minha cabeça ainda doía, fiz minha higiene matinal e tomei um banho rápido. Enquanto vestia minhas roupas e me arrumava, escutei uns gritos e umas vozes altas vindas da cozinha. Meus pais estavam discutindo por causa do acontecimento de ontem na escola. Por mais que fosse difícil uma convivência com pessoas da minha idade e que não tivessem deficiência... Eu não iria desistir. Terminei de me arrumar e fui em direção a cozinha para entender o que estava acontecendo. As vozes eram altas e bem claras. As palavras machucavam. Machucavam-me. Eles fariam tudo de novo. Eu sei. Minha mãe chorava e meu pai tentava clarear algo para que ela não me privasse da vida que eu levava. Podia ser u inferno, mais eu tinha liberdade e um pouco de espaço. Espaço este que eu não tinha em casa. Espaço este que me custava caro, pois aceitar e passar por tudo que eu passava não era fácil.

-Gordon, você não entende! Eles vão acabar machucando ele. Não quero ver meu filho num hospital, no mesmo estado de ontem ou pior... Ele estava tão fraco... Tão frágil. - Dizia minha mãe entre soluços.

-Meu amor, ele vai ficar bem. Nós nem sabemos o que aconteceu. Nem ele sabe. Só sabemos que alguma coisa o acertou. Acho que não fizeram de propósito. -Meu pai tentou acalmá-la, mas não funcionou.

-Você diz isso porque não o viu naquela cama da enfermaria desacordado. Pálido. Com um corte no couro cabeludo e sangrando. Você não o viu desse jeito. –Minha mãe gritava e pelo jeito que meu pai agia ele não sabia o que fazer. A respiração de ambos estava descompassada, minha mãe chorava muito e meu pai estava desesperado. De fato eu realmente não sei o que me acertou tampouco quem foi. Só sei que eu não vou desistir um dia as próprias cobras morrem de seu próprio veneno e com eles isso não vai ser diferente.

-Mãe! Pai! - Os chamei e logo senti os olhares surpresos em cima de mim. - Eu estou bem e papai tem razão eu nem sei o que me acertou e nem sei se foi por maldade. -Mentira eu sabia que foi por maldade eu só não sabia quem foi mais cedo ou mais tarde descobriria. - Eu tenho que ir para a escola. -Disse a eles suspirando, eu realmente não iria agüentar ficar em casa sem fazer nada.

-Bill! Não quero que você volte para aquela escola. - Disse minha mãe soluçando. Coloquei minhas mãos em seu rosto e acariciei de leve suas bochechas enquanto esboçava um sorriso. - Aquelas pessoas vão machucar você, vão fazer você sofrer e eu não quero isso. - Minha mãe tocou acariciava minha bochecha com o polegar. - Eu te amo muito meu filho, não quero que você se machuque. Por favor, fique em casa... Por um tempo, depois nós vamos atrás de outra escola para você. Assim eu fico mais tranqüila. - Delicadamente eu tirei minhas mãos de seu rosto e desfiz meu sorriso. Eu não ficaria em casa morrendo de tédio de novo, além do mais eu tenho responsabilidades a cumprir... Como duas provas hoje. Foi a única coisa que me fez prestar atenção em duas das aulas por uma fração de segundo. A nova professora de história estava perdida e faria uma prova oral para saber em que parte da matéria nós havíamos parado. E o professor de química iria fazer perguntas que valiam pontos. Eu não podia deixar de faltar. Eu não iria faltar.

-Mãe... Pai... Eu... Sinto muito, mais eu tenho responsabilidades e tenho prova hoje. Não posso faltar a escola. Desculpe. - Eu sabia que era difícil e que minha mãe iria se sentir pior, mais eu realmente tinha responsabilidades a cumprir e ninguém disse que seria fácil, muito menos impossível. Eu precisava tentar. E por outro lado não posso deixar tudo desse jeito, não posso fugir cada vez que as coisas ficarem ruins. - Então quem me leva hoje para escola? -Ouvi barulhos na escada, na verdade eram passos. Senti que o perfume adocicado de minha mãe já não estava mais presente, ou seja, quem me levaria hoje na escola seria meu pai. - Pai! Vamos logo, eu não posso chegar atrasado. -Disse saindo da cozinha em direção a garagem, meu pai vinha atrás de mim com minha mochila e a pasta dele.

-Bill, você não vai querer comer nada? Não se pode estudar de estomago vazio. -Disse ele abrindo a porta do carro para mim e colocando a mochila no meu colo.

-Eu não estou com fome, não precisa se preocupar comigo. - Disse sorrindo.

-E então, vamos ouvir o que hoje? Dirigir sem música não tem graça. - Não tive como não sorrir, apesar de meu pai ser extremamente preocupado comigo, ele sabia como me alegrar, como conversar... Nossos momentos juntos eram ótimos porque ele sabia me distrair, ele era a única pessoa que me fazia esquecer completamente que eu não enxergava... Não que minha mãe ficasse lembrando o que eu tinha, não era isso, era apenas que por ela querer me proteger de tudo e todos eu me sentia desconfortável e até mesmo às vezes sufocado. Mas tirando isso eu conversava com minha mãe sobre tudo, exatamente como era com o meu pai.

-Eu quero ouvir Nena - 99 Luftballons, você pode por para mim?

-Claro! ... -Um breve momento de silêncio se fez, mas como meu pai odeia silêncio ele retomou a conversa. - Quando você vai arrumar uma namorada, Bill? - Que banho de água fria, por essa eu não esperava. Será que ele se aproveitou disso só porque nós estamos ouvindo Nena? De onde meu pai tira essas idéias?

-Eu não... Quer dizer... Quando... Eu... È... Bem... Não faço idéia, talvez quando eu achar alguém que queira carregar um fardo nas costas. -Depois de tanta enrolação eu finalmente consegui responder a pergunta dele.

-Não sabia que eu conseguia te enrolar com uma simples pergunta. - Ele riu e eu fiquei corado, senti minhas bochechas queimando. - Se eu posso fazer isso só por te perguntar de namorada imagina se fosse sobre sexo, você estaria azul agora. - Novamente ele riu e dessa vez eu ri junto, mesmo com as perguntas tensas ele sabia me fazer sorrir, coisa que ninguém daquela escola sabia fazer. Muito pelo contrário eles queriam me destruir. -Bill, nunca mais me diga que você é um fardo, ouviu? – Eu assenti e ele continuou. – Você é meu filho e eu e sua mãe te amamos você nunca foi e nunca será um fardo para nós. Não diga isso de si mesmo, não se condene a ser uma coisa que você não é. – Ele parou o carro, tirou o cinto de segurança e me puxou, em seguida me deu um abraço e desejou-me uma boa prova. Desci do carro e fui andando para dentro da escola, quando tropecei em alguma coisa. Droga de colégio! Como uma escola particular pode ser considerada uma das melhores da Alemanha sem nem ao menos ter acessibilidade para deficientes? Nem uma rampa, nem estacionamento nem nada e ainda dizem que são os melhores. Isso é um absurdo.

Ao abrir a porta do corredor, como todos os dias eu sou a diversão deles, ainda mais depois do que aconteceu ontem. Eram mais risadas do que comentários, mas eu não iria desistir, todos nós temos um lugar e um propósito, meu lugar definitivamente não era esse, mas meu propósito seguia. Mais cedo ou mais tarde pessoas como eu poderiam entrar numa escola normal sem ter tanto preconceito, esse era meu propósito, mesmo que eu fosse ridicularizado, nós nunca fazemos algo só por nós mesmos e eu seria um deles.

Dessa vez eu achei minha sala rapidamente sem precisar me concentrar na voz de Max, entrei na sala e logo os que estavam lá dentro começaram a rir e fazer piadinhas sem graça, mas eu sentei no meu lugar e fiz de conta que eles nem existiam. Logo o sinal tocou e todos os alunos entraram na sala e o professor de química começou com aquela aula chata de sempre, notei que ele só falava, ele não era assim e a prova? Geralmente quando era a primeira aula dele e tínhamos prova, ele já jogava o exame em cima da mesa, mandava todos ficarem quietos e ficava andando de um lado para o outro... Como se fosse botar um ovo. No entanto hoje ele só está falando, será que ele trocou o modo de prova? Era só o que faltava.

-Atenção todos. Hoje vocês podem comemorar, não vai haver prova! – Todos começaram a gritar e bater nas mesas. – Quietos! Acalmem-se! Não vai haver prova porque temos uma aluna nova. A prova de vocês fica para semana que vem. Senhorita Lyra Squarzon Schramm, bem vinda a escola e esta é a sua classe. Por favor, entre.

Quando ela entrou seu perfume veio diretamente em minhas narinas, Angel de Thierry Mugler, meu perfume favorito. Lembro-me que minha prima tinha este perfume e ficar perto dela era uma das melhores coisas do mundo, não que ela fosse legal, pois ela não era. Mais eu não ficava perto dela por causa dela e sim pelo perfume que ela exalava que cobria o ar. Os garotos começaram a assoviar e a falar coisas como gostosa, como ela é linda, será que eu tenho uma chance e também tomara que o professor a deixe sentar comigo. Até as meninas também estavam comentando, mais os comentários não eram bons, elas estavam com raiva e inveja, pois todos os meninos estavam de olho na nova aluna. Ao ouvir todos estes comentários foi impossível não deixar de rir. Eu não sabia se tudo isso era verdade, mas de certa forma eu não queria ter falsas esperanças como eu sempre tive quando uma aluna nova entrava na escola, sempre achava que ia me dar bem com elas, que seríamos amigos e finalmente eu teria alguém para conversar, mas isso nunca acontecia logo elas se juntavam com os outros e passavam a rir de mim, não vou esperar que desta vez vá ser diferente, porque no fundo eu sei que não vai.

Enquanto todos agiam como leões na frente de um bife, eu simplesmente fiquei quieto no meu canto, estudando o livro de matemática. Talvez seja esse o motivo pelo qual o professor a colocou junto comigo até o final do ano.
Não que vá ser muito tempo, mas se ela for como todas as outras, ai eu vou estar em maiores apuros.

-Olá Bill, posso me sentar ao seu lado? -Ela me perguntou com aquela voz doce e delicada. O perfume exalado por ela me embriagava.

-Claro, fique a vontade. - Disse a ela sem o maior interesse de conversa.

Acho que ela percebeu isso, pois não falou comigo a aula toda. Com certeza ela vai agir como todas as outras, por umas duas semanas eu vou ser para ela como uma pintura perdida no museu até ela achar um lugar para por a pintura e largar lá. Era sempre assim que eu era tratado. Já havia me acostumado.
As três primeiras aulas passaram voando e o sinal para o intervalo havia tocado. Apesar de não trocarmos uma só palavra, nós saímos da sala juntos.

-Você vai para o refeitório?

-Não, eu vou ao jardim. -Espero que ela não queira vir comigo.

-Sabe me dizer onde tem uma biblioteca aqui? -Agora eu fiquei surpreso, por um instante eu achei que ela fosse querer saber quem eram os populares da escola.

-A biblioteca... Você vai a direita ao corredor, vira à esquerda é a primeira porta, do lado da diretoria.

-Obrigada Bill. -Ela me agradeceu, só posso estar sonhando.
Seus passos se distanciaram e eu voltei à realidade, novamente sozinho como eu sempre fui.

O intervalo logo acabou e todos voltaram para sala. Tem muitas coisas erradas aqui, ninguém riu de mim no refeitório, ninguém fez piadinha durante o intervalo. O que está acontecendo? Agora eu não entendo mais nada.

As aulas rapidamente acabaram e eu pude finalmente sair daquele lugar, como meus pais estavam ocupados eles não viriam me buscar então eu teria que ir de ônibus. Andei até o ponto, e quando cheguei lá trombei em algo, a pessoa murmurou alguma coisa e eu notei que havia uma enorme fila de estudantes cantando, gritando e rindo de mim claro, mas mesmo assim eu decidi esperar. O ônibus logo chegou e a fila foi andando quando era a minha vez de entrar o motorista simplesmente fechou a porta e seguiu com o ônibus ao seu destino. Que droga! Nada dá certo para mim.

-Bill? Ouvi chamar meu nome, essa voz não me era estranha, foi quando senti o cheiro que emanava de sua roupa.

-Lyra? O que faz aqui?- Mas o que ela estaria fazendo aqui? Será que ela não tinha carro?

-Bill você quer uma carona para casa? -Mais uma com pena do ceguinho aqui, só porque eu ainda não tinha como voltar para casa. Porque as pessoas fazem isso? Para que ter pena? Porque eu?

-Não, não quero! Não precisa ter pena de mim e querer fazer isso por dó de um cego. -Antes mesmo de ela responder alguém chama meu nome.

-Bill Kaulitz? -Essa voz eu conheço é minha...

-Mãe? -Ela só me chama assim quando está brava comigo, mas ela me disse na noite anterior que não poderia me buscar que seria meu pai a fazer isso. Não estou entendendo nada.

-Não seria meu pai a vir me buscar? A senhora disse que não podia.

-Seu pai viajou de novo e aqui estou eu, não vou deixar você ir de ônibus para casa. – respondeu me dando um abraço e logo me largando. Seus passos foram em direção oposta e ela me pediu para esperar. Droga, eu odeio esperar.

As risadas de alguns caras do outro lado da rua me incomodava, podia sentir seus olhares sobre mim e definitivamente eu não estava gostando disso. Minha mãe estava demorando muito, já fazia uns vinte minutos que ela havia me largado aqui. Sozinho.

-Vamos para casa? – A voz dela próximo a mim, me fez levar um susto. Eu estava imerso em meus pensamentos e nem notei ela chegar. Apenas assenti e senti sua mão envolver meu braço me levando em direção ao carro. Agora eu me sentia seguro.


É mais fácil fugir
Substituindo essa dor por algo indiferente
É muito mais fácil ir
Do que encarar toda essa dor aqui sozinho

Algo foi tirado bem do fundo de mim
Um segredo que tenho mantido trancado ninguém pode sequer ver
Ferimentos tão profundos nunca mostrados nunca desaparecem
Como figuras se movendo em minha cabeça por anos e anos elas passam

Apenas lavando
O desamparo profundo
Fingir que não estou fora do lugar
É muito mais simples que mudar

(Easier To Run - Linkin Park)


_______________________________________________________________________________________________________

Bill, que grosseria foi essa menino?
Por quais motivos Tia Simone está brava com Bill?
E então, Continuo?


Última edição por Ally Kaulitz em Ter Mar 29, 2011 1:04 pm, editado 1 vez(es) (Razão : atualização/ reescrita)
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MensagemAssunto: Re: Meine Schutzengel   Qua Ago 04, 2010 8:34 pm

e ainda pergunta se continua
É CLARO QUE CONTINUA
Billzin que raiva é essa??
Tia Si não fica brava com o Bill
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MensagemAssunto: Re: Meine Schutzengel   Qua Ago 04, 2010 8:50 pm

Bill, ta sendo muito gosseiro '-'
KSPAOKPOKSAS
Continua . xD
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Bells_Bellinha

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MensagemAssunto: Re: Meine Schutzengel   Qua Ago 04, 2010 9:01 pm

*Leitora Nova

Continua sim,
Ta D+!!

XD
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MensagemAssunto: Re: Meine Schutzengel   Qui Ago 05, 2010 1:33 am

Nossa Bill, isso não era necessário =/
Porque a tia Simone ta brava com ele? curiosidade mode on
Continua *-----*
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Allyria

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MensagemAssunto: Re: Meine Schutzengel   Dom Ago 22, 2010 12:25 am

Cadê capitulo? Eu quero mais!

E quando eu acho que as idéias dela eram ainda normais, me aparece isso.
Nunca na minha vida eu imaginei o Bill cego e sofrendo esse tipo de preconceito.
Bem original a idéia, embora você tenha se baseado na vida da nosssa amiga com o preconceito não é?
Nossa como ele sofre em silêncio, não reclama com os pais nem com ninguém.
Bill menino você não precisava agir dessa forma com a Lyra, ela só queria ajudar.
Só quero ver o que vai acontecer entre Tia Simone e o Bill, será que ela vai dar bronca nele?
Continua Best.
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MensagemAssunto: Re: Meine Schutzengel   Dom Set 05, 2010 6:32 pm

Muito legal a idéia de fazer um Fic sobre isso!
Continua por favor!!!!
!
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MensagemAssunto: Re: Meine Schutzengel   Qua Set 08, 2010 12:20 pm

Leitora nova*

[b]Ai Bill Pra Que Fazer Isso Ela Só Queria Ajudar!!
ou estava com pena? scratch
isso ñ importa agora aposto q a Lyra só quer ajudar!!
Continua! :*-*:
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Allyria

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MensagemAssunto: Re: Meine Schutzengel   Qui Set 23, 2010 5:11 pm

Ah meu deus eu vou pirar.
Vanessa n
ão me venha dizer que ta sem inspiração ou que esqueceu porque não vai colar.
Então é isso posta o mais rapido possivel.
A fic ta muito boa você sabe disso.
Continua Bitte
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MensagemAssunto: Re: Meine Schutzengel   Qui Set 23, 2010 5:42 pm

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Santo Anjo do Senhor,
Meu zeloso guardador,
Já que a ti me confiou
A piedade divina,
Sempre me rejas, guardes,
governes e ilumines.
Amém.
:anjo:
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Yuky

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MensagemAssunto: Re: Meine Schutzengel   Seg Out 18, 2010 6:05 pm

Que fic difrente, nunca imaginei isso.
Como ele sofre.
Continua por favor
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MensagemAssunto: Re: Meine Schutzengel   Dom Nov 07, 2010 8:49 am

Cadê capítulo? Eu quero mais! Abandona essa não, é muito especial Ally.
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MensagemAssunto: Re: Meine Schutzengel   Sex Nov 12, 2010 12:35 pm

Leitora nova

Uau que historia linda.
Nunca imaginei o Bill desse jeito. em criativa sua idéia.
Não abandona não Ally.
A história é muito boa.
Continua por favor
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Marsele
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MensagemAssunto: Re: Meine Schutzengel   Ter Dez 28, 2010 5:26 pm

Com certeza você deve continuar, caso contrário vamos todos morrer de curiosidade pra saber o que acontece depois. Afinal, o que vai acontecer agora???? Question Não demore a postar o proximo capitulo.
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MensagemAssunto: Re: Meine Schutzengel   Hoje à(s) 10:37 am

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